Redação Plenax – Flavia Andrade
“Africanidades – O Chamado dos Tambores” será apresentado neste sábado (1º), no Teatro Aracy Balabanian, com músicas inéditas e participação de jovens formados pelo projeto
Os tambores serão protagonistas de uma noite dedicada à memória, à identidade e à cultura afro-brasileira neste sábado (1º de agosto), em Campo Grande. A partir das 19h, o Teatro Aracy Balabanian recebe o espetáculo “Africanidades – O Chamado dos Tambores”, terceira edição do show da Banda BatuqueCanta, projeto do Centro Cultural Instituto Projeto Livres.
A apresentação marca uma nova etapa na trajetória do grupo, que estreia um repertório inteiramente autoral, composto pela educadora, cantora e compositora Professora Rô, fundadora do Instituto Projeto Livres. As canções abordam temas como ancestralidade, racismo, pertencimento, resistência e valorização da cultura afro-brasileira.
Os ingressos custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia-entrada e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla ou pelo telefone (67) 99213-7332.
Entre as músicas inéditas que serão apresentadas está “Racismo Velado”, composição inspirada nas situações de violência e discriminação enfrentadas pela população negra no cotidiano brasileiro.
“A nossa sociedade prefere fingir que não há racismo para não enfrentar esse problema. Corpos negros continuam sendo violentados, excluídos e inferiorizados estética e culturalmente. ‘Racismo Velado’ é um convite para pensarmos no Brasil que queremos construir. É o nosso grito de indignação e também um chamado à revolução”, afirma Professora Rô.
Tambores como memória e resistência
Ao longo do espetáculo, as músicas conduzem o público por temas que atravessam ancestralidade, espiritualidade, denúncia social e celebração da vida.
Mais do que instrumentos musicais, os tambores assumem o papel de elementos de preservação da memória coletiva e de expressão da resistência da população negra.
A apresentação também celebra a história da Banda BatuqueCanta, criada em 2018, a partir de oficinas de percussão sustentável destinadas a crianças e adolescentes de comunidades periféricas de Campo Grande.
O projeto acompanhou o desenvolvimento de jovens que começaram ainda crianças nas atividades e que hoje retornam ao palco como músicos adultos.
“É gratificante ver essas crianças se tornarem adultos apaixonados pela cultura afro-brasileira, rompendo com o eurocentrismo que historicamente nos foi imposto. Cada batida dos tambores é um convite à vida, à consciência e à transformação. Hoje já são mais de vinte composições que falam sobre pertencimento, dignidade e a importância das vidas negras”, destaca Professora Rô.
Para a educadora, o espetáculo representa também uma oportunidade de ampliar a voz de artistas e histórias ligadas à cultura afro-brasileira.
“Queremos fazer uma revolução cultural. Dar voz aos cantos que contam as histórias dos nossos antepassados e mostrar que o novo e o velho caminham juntos. O batuque continua sendo ancestral, mas também aponta para o futuro. Queremos inspirar aqueles que pensam em desistir e lembrar que somos capazes, somos reais e somos excelentes”, afirma.
Projeto avança para a profissionalização
A edição 2026 do “Africanidades” também representa um novo momento para a Banda BatuqueCanta. Após oito anos de atividades voltadas à formação de crianças, adolescentes e jovens por meio da música e da percussão sustentável, o Instituto Projeto Livres busca ampliar a atuação profissional do grupo.
A proposta é levar o espetáculo para festivais, eventos culturais e grandes produções, criando novas oportunidades para os artistas formados pelo projeto.
Para a produtora cultural Thathy D’Meo, o processo é importante tanto para a valorização dos músicos quanto para a sustentabilidade da instituição.
“A Banda BatuqueCanta nasceu dentro de uma instituição social, mas construiu um trabalho de qualidade artística e técnica que merece reconhecimento profissional. Nosso objetivo é ampliar a circulação do espetáculo e fortalecer uma cadeia cultural capaz de gerar renda para os artistas e sustentabilidade para o Instituto. Cultura também é trabalho, desenvolvimento e transformação social”, afirma.
A profissionalização não substitui as ações formativas voltadas ao público infantojuvenil. A intenção é criar novas perspectivas para que os jovens possam dar continuidade à trajetória artística iniciada nas oficinas.
Instrumentos são produzidos com materiais recicláveis
A sustentabilidade também faz parte da identidade do BatuqueCanta. O grupo utiliza instrumentos produzidos a partir de materiais recicláveis, como baldes, tonéis, latas e recipientes plásticos, transformados em equipamentos musicais.
A prática combina educação ambiental, economia circular e valorização da cultura popular. A metodologia também está presente nas oficinas e atividades formativas realizadas pelo Instituto Projeto Livres.
Instituto é reconhecido como Ponto de Cultura
O Centro Cultural Instituto Projeto Livres foi recentemente reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. A instituição possui mais de 13 anos de atuação em iniciativas voltadas à democratização do acesso à cultura, educação e inclusão social.
Ao longo da trajetória, o projeto desenvolveu atividades de música, moda, economia criativa, costura, design, reforço escolar e outras ações culturais direcionadas a crianças, adolescentes e famílias de comunidades periféricas de Campo Grande.
O espetáculo “Africanidades – O Chamado dos Tambores” integra o projeto Som do Afoxé, realizado pelo Centro Cultural Instituto Projeto Livres. A iniciativa foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do Governo Federal e execução da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
Serviço
Africanidades – O Chamado dos Tambores
Data: 1º de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 19h
Local: Teatro Aracy Balabanian – Campo Grande (MS)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Vendas: Sympla
Informações: (67) 99213-7332

