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Cármen Lúcia afirma que democracia depende da participação da população durante lançamento de livro na Flip

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Redação Plenax – Flavia Andrade

Ministra do STF defendeu o fortalecimento da cidadania, destacou a segurança das urnas eletrônicas e afirmou que a democracia é construída pela participação popular

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta quinta-feira (23) que a democracia brasileira depende da participação ativa da população e não apenas das instituições públicas. A declaração foi feita durante o lançamento do livro Pela mão do povo — Democracia e voto no Brasil, na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro.

Escrita em coautoria com a cientista política Heloisa Starling e organizada pela historiadora Nayara Henriques Pinto, a obra aborda a evolução da democracia brasileira a partir da história das eleições, da legislação eleitoral e da participação popular na construção da cidadania.

Durante o evento, a ministra ressaltou que a preservação da democracia exige envolvimento permanente da sociedade.

“Está em nossas mãos a democracia, não está nos palácios, não está nos gabinetes”, afirmou.

Participação popular vai além das eleições

Em sua fala, Cármen Lúcia destacou que o voto representa um dos principais instrumentos democráticos, mas não deve ser entendido como a única forma de participação da sociedade na vida pública.

Segundo ela, a cidadania deve ser exercida diariamente por meio do envolvimento da população nos debates e nas decisões que impactam o país.

“Nem se imagine que o único dia que nós, sociedade, somos soberanos como povo, seja o dia da eleição. Todos os dias nós podemos fazer alguma coisa”, declarou.

Ministra defende confiabilidade das urnas eletrônicas

Ao responder perguntas do público sobre o sistema eleitoral brasileiro, Cármen Lúcia reiterou a confiança nas urnas eletrônicas e afirmou que os equipamentos passam por auditorias permanentes.

A ministra, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em duas ocasiões, disse não haver comprovação de falhas que coloquem em dúvida a integridade do processo eleitoral.

“Eu não acredito mais que alguém em sã consciência tenha dúvida sobre a urna”, afirmou.

Ela acrescentou que, como eleitora e ex-presidente do TSE, tem “absoluta certeza da segurança, da higidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica”.

Democracia exige vigilância constante

Durante o lançamento do livro, a ministra também afirmou que democracias ao redor do mundo enfrentam desafios e precisam ser constantemente defendidas pela sociedade.

Segundo ela, a mobilização popular foi decisiva para conquistas importantes no Brasil, citando como exemplo a criação da Lei da Ficha Limpa, originada por iniciativa popular.

Para Cármen Lúcia, mudanças estruturais ocorrem quando a população participa ativamente da vida democrática.

Literatura, direito e cultura

Além dos temas ligados à democracia, a ministra abordou a relação entre literatura e direito, destacando que ambas utilizam a palavra como instrumento de reflexão sobre a sociedade.

Ela citou obras de autores como Fiódor Dostoiévski, Franz Kafka e Jakob Wassermann, além de afirmar que Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, é uma das obras que mais a acompanham.

Ao encerrar sua participação, Cármen Lúcia ressaltou o papel da arte e da cultura como pilares da democracia.

“Sem arte e cultura não se tem democracia”, afirmou, acrescentando que a cultura representa um espaço de liberdade e expressão indispensável ao Estado Democrático de Direito.

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