Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialista explica que maior circulação de vírus respiratórios favorece o aumento dos casos e destaca que crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis
Com a chegada das temperaturas mais baixas, hospitais e unidades de pronto atendimento registram aumento no número de casos de pneumonia, doença que permanece entre as principais causas de internação de crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas.
Embora muitas pessoas associem a enfermidade diretamente ao frio, especialistas esclarecem que as baixas temperaturas não provocam a pneumonia. O principal fator é a maior circulação de vírus respiratórios durante o inverno, aliada ao hábito de permanecer em ambientes fechados e pouco ventilados, o que favorece a transmissão de infecções.
Segundo a infectologista e docente do curso de Medicina do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Dra. Tânia Lossavaro, o período exige atenção especial, principalmente para pessoas mais vulneráveis.
“O frio não provoca pneumonia diretamente. O que observamos é um aumento da circulação de vírus respiratórios que favorecem o desenvolvimento da doença, especialmente em pessoas mais vulneráveis”, explica.
Vírus podem abrir caminho para infecções mais graves
A pneumonia é caracterizada pela inflamação dos pulmões, comprometendo as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. Com isso, os alvéolos podem se encher de secreções e líquidos, dificultando a oxigenação do organismo.
Os casos mais graves costumam ser provocados por bactérias, principalmente o Streptococcus pneumoniae, conhecido como pneumococo. No entanto, vírus como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e o SARS-CoV-2 também podem causar a doença ou favorecer o surgimento de infecções bacterianas secundárias.
Segundo a especialista, uma gripe ou resfriado aparentemente simples pode evoluir para um quadro mais grave.
“Os rinovírus, a influenza e outros agentes respiratórios frequentemente funcionam como porta de entrada para infecções bacterianas secundárias. É por isso que uma gripe mal evoluída pode se transformar em uma pneumonia”, afirma.
A chamada “pneumonia silenciosa”
Nem todos os casos apresentam sintomas intensos logo no início. A chamada pneumonia silenciosa, também conhecida como pneumonia muda, pode evoluir com sinais discretos, dificultando o diagnóstico.
Além da ausência de sintomas clássicos como febre alta e falta de ar intensa, alguns pacientes apresentam apenas cansaço excessivo, sonolência, perda de apetite, indisposição ou tosse leve.
Entre os idosos, o quadro pode ser ainda mais difícil de identificar, manifestando-se por meio de confusão mental, fraqueza repentina ou piora do estado geral.
Essa apresentação mais discreta pode atrasar o início do tratamento e aumentar o risco de complicações.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais variam conforme a idade, o agente causador da infecção e as condições de saúde do paciente. Os sintomas mais frequentes incluem:
febre;
tosse persistente;
catarro;
falta de ar;
dor no peito ao respirar;
calafrios;
cansaço intenso;
mal-estar.
Nas crianças, também podem surgir dificuldade para respirar, irritabilidade, recusa alimentar e prostração. Já nos idosos, a doença pode evoluir sem os sintomas tradicionais, exigindo atenção redobrada de familiares e cuidadores.
Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção
Apesar de causar milhares de internações todos os anos, a pneumonia pode ser amplamente prevenida por meio da vacinação.
Uma das principais estratégias é a imunização contra o pneumococo, bactéria responsável por grande parte dos casos graves. A vacina integra o calendário infantil do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto idosos e pessoas com fatores de risco podem receber esquemas específicos mediante avaliação médica.
Além disso, especialistas reforçam a importância das vacinas contra influenza e Covid-19, que ajudam a reduzir infecções respiratórias capazes de desencadear quadros de pneumonia.
“Quando dizemos prevenção da pneumonia, não estamos falando apenas da vacina pneumocócica. A vacinação contra influenza e covid-19 também desempenha um papel fundamental na redução de casos graves e hospitalizações”, destaca a infectologista.
Cuidados simples ajudam a reduzir os riscos
Além da vacinação, algumas medidas contribuem para diminuir a transmissão de doenças respiratórias durante o inverno, como manter ambientes bem ventilados, higienizar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas doentes e procurar atendimento médico quando sintomas respiratórios persistirem.
Para a especialista, reconhecer precocemente os sinais da doença pode fazer toda a diferença no tratamento.
“Nem toda pneumonia começa de forma dramática. Muitas vezes, ela surge após uma gripe ou resfriado que parecia inofensivo. Reconhecer os sinais precocemente, manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante da persistência dos sintomas são medidas capazes de evitar complicações e salvar vidas”, conclui.

