Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialistas alertam que sintomas persistentes, como rouquidão, feridas na boca e dificuldade para engolir, devem ser investigados para aumentar as chances de cura
Sintomas como rouquidão, dor de garganta, feridas na boca e dificuldade para engolir costumam estar associados a problemas comuns, como infecções ou inflamações. No entanto, quando essas alterações persistem por várias semanas ou surgem acompanhadas de nódulos no pescoço, sangramentos sem causa aparente ou mudanças na sensibilidade da boca e da face, a recomendação é procurar avaliação médica ou odontológica.
O alerta integra a campanha Julho Verde, dedicada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa busca incentivar o diagnóstico precoce da doença, que pode atingir regiões como boca, língua, lábios, faringe, laringe, cavidade nasal e tireoide.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), identificar o tumor nas fases iniciais aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento e pode reduzir os impactos funcionais e estéticos causados pela doença.
Sintomas persistentes merecem atenção
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, dor de garganta constante, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir, alterações na voz, sangramentos sem explicação e nódulos na região do pescoço.
O oncologista Dr. Amauri de Oliveira, do Hospital do Coração MS, explica que esses tumores se desenvolvem em estruturas da cabeça e do pescoço, principalmente na garganta, boca, língua, lábios, laringe e faringe.
Segundo o especialista, muitos dos sintomas podem estar relacionados a doenças benignas, mas a persistência dos sinais exige investigação.
“Os principais sintomas dos tumores de cabeça e pescoço, quando já estão avançados, podem incluir rouquidão, dificuldade de deglutição, dor, feridas na boca e, em alguns casos, sintomas de parestesia, quando há comprometimento de nervos”, explica.
Ele destaca que sintomas como rouquidão ou dor podem ocorrer por infecções, mas, quando permanecem por mais de 30 dias, devem ser avaliados por um profissional de saúde.

Diagnóstico precoce amplia chances de cura
A detecção precoce continua sendo um dos principais fatores para aumentar as chances de cura e possibilitar tratamentos menos agressivos.
De acordo com Dr. Amauri, pacientes diagnosticados nos estágios iniciais frequentemente conseguem preservar melhor funções importantes, como fala e alimentação.
“A principal forma de conseguir a cura de um tumor de cabeça e pescoço é quando se diagnostica precocemente. Os diagnósticos mais tardios estão relacionados a tratamentos mais agressivos, como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia”, afirma.
Tabagismo, álcool e HPV aumentam o risco
Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV).
O INCA também aponta como fatores associados a exposição excessiva ao sol — especialmente no câncer de lábio —, obesidade e alimentação pobre em frutas, verduras, legumes e nutrientes essenciais.
Segundo o oncologista, enquanto o cigarro e o álcool continuam sendo os principais fatores entre pessoas mais velhas, o HPV tem ganhado importância entre pacientes mais jovens.
“Nos mais velhos, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Nos jovens, hoje, um dos maiores riscos é o HPV”, ressalta.
O médico explica que o vírus pode provocar alterações nas células da mucosa, favorecendo o surgimento de alguns tipos de câncer da região da cabeça e pescoço.
Mato Grosso do Sul deve registrar centenas de novos casos
As estimativas mais recentes do INCA indicam que o Brasil deverá registrar cerca de 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano no triênio 2026-2028.
Em Mato Grosso do Sul, a projeção para 2026 é de 230 novos casos de câncer de cavidade oral e 140 casos de câncer de laringe.
Outro dado que preocupa é o diagnóstico tardio. Levantamento divulgado pelo INCA aponta que 78,2% dos tumores de cabeça e pescoço analisados foram identificados apenas nos estágios III ou IV da doença, reduzindo as possibilidades de tratamentos menos invasivos.
Exames ajudam a confirmar o diagnóstico
Quando há suspeita da doença, a investigação começa com avaliação clínica e exame físico, incluindo palpação da região do pescoço e análise da cavidade oral.
Dependendo do caso, o paciente pode ser encaminhado para especialistas como cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista ou otorrinolaringologista.
Além da avaliação clínica, podem ser solicitados exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, nasofibrolaringoscopia e biópsia para confirmação do diagnóstico.
O tratamento varia conforme o tipo e o estágio do tumor, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens.
Atendimento em Campo Grande
O Hospital do Coração MS, em Campo Grande, oferece atendimento para avaliação, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com suspeita ou confirmação de câncer de cabeça e pescoço. A unidade conta com centro cirúrgico e equipe especializada em oncologia.
Serviço
Hospital do Coração MS
Rua Marechal Rondon, 1703 – Centro, Campo Grande (MS)
(67) 3323-9119 / (67) 3323-9150

