Redação Plenax – Flavia Andrade
Obra publicada pela editora Faria e Silva acompanha a trajetória de um homem que enfrenta a perda da esposa enquanto revisita a história de um relacionamento construído desde a adolescência
O romance da morte sua, do escritor Bruno Crispim, finalista do Prêmio Kindle de Literatura e publicado pela editora Faria e Silva, propõe uma reflexão profunda sobre o luto, o amor e a fragilidade das relações humanas. A obra acompanha Igor, protagonista que precisa lidar com a morte da esposa, Bibi, enquanto enfrenta o desafio de seguir em frente como pai solo e reconstruir, por meio das lembranças, a história que marcou sua vida.
Com uma narrativa não linear, o livro alterna acontecimentos do presente e do passado para reproduzir a forma como a memória atua durante o processo de luto. Entre recordações da adolescência, momentos cotidianos e a construção de um relacionamento duradouro, o leitor acompanha a tentativa de Igor de encontrar sentido em meio à dor da perda.
Sete anos de escrita e diversas reescritas
O romance levou sete anos para ser concluído e passou por cerca de doze versões antes da publicação. Segundo Bruno Crispim, a ideia nasceu de uma conversa com a esposa durante uma noite descontraída, quando ela comentou que ele só faria sucesso ao escrever sobre sua morte.
A frase, inicialmente dita em tom de reflexão, despertou no autor um dos seus maiores medos: imaginar a vida sem a companheira, com quem está desde os 16 anos. A partir desse sentimento, surgiu a necessidade de transformar a angústia em literatura.
“O medo da perda sempre esteve presente. Escrever essa história foi uma forma de enfrentar um dos sentimentos mais difíceis que já experimentei”, afirma o escritor.
Masculinidade e a dificuldade de expressar a dor
Além da experiência do luto, da morte sua também aborda a forma como muitos homens foram educados para reprimir emoções. Durante toda a narrativa, Igor enfrenta não apenas a ausência da esposa, mas também os próprios bloqueios emocionais impostos por uma cultura que associa vulnerabilidade à fraqueza.
Para Bruno Crispim, essa construção social torna o sofrimento ainda mais difícil de elaborar.
Segundo o autor, a ideia de que “homem não chora” marcou gerações e contribui para que muitos enfrentem a dor em silêncio, tornando o processo de superação ainda mais complexo.
Formação acadêmica contribuiu para amadurecimento da obra
Mestre em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Bruno Crispim já trabalhava no romance antes de ingressar no mestrado. Durante o curso, disciplinas como Teoria Literária e Filosofia, além da troca de experiências com professores e escritores, ajudaram a consolidar a linguagem e a estrutura narrativa do livro.
O autor também contou com consultoria de profissionais da área médica para garantir maior verossimilhança às situações retratadas na história.
Entre suas principais influências literárias estão Hilda Hilst e Vinicius de Moraes. Enquanto a primeira inspirou a liberdade na construção da linguagem diante da dor, o segundo influenciou a intensidade emocional presente na narrativa.
Convite à empatia
Mais do que um romance sobre perda, Bruno Crispim afirma que a obra busca estimular a empatia e provocar reflexões sobre os julgamentos que costumam ser feitos diante do sofrimento alheio.
A proposta, segundo ele, é incentivar o leitor a compreender que cada pessoa enfrenta circunstâncias e dores de maneira única, reforçando a importância da acolhida em vez da condenação.
Sobre o autor
Natural de Niterói (RJ), Bruno Crispim nasceu em 1984, é escritor, professor e mestre em Escrita Criativa pela PUC-RS.
Além de da morte sua, é autor de Kaito: reze por uma boa morte, eleito Livro do Ano pelo Prêmio Book Brasil; O Segundo Caçador, vencedor do Prêmio UFES de Literatura; e Ascensão, obra indicada ao Prêmio Jabuti 2025.
Ficha técnica
Livro: da morte sua
Autor: Bruno Crispim
Editora: Faria e Silva
Gênero: Romance contemporâneo
Páginas: 209
Preço sugerido: R$ 69,00

