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Curta sul-mato-grossense brilha em festival e leva prêmio máximo em Cuiabá

Fotos: Eduardo Andrade

Redação Plenax – Flavia Andrade

O curta-metragem “Mapago” colocou Mato Grosso do Sul em destaque no cenário audiovisual ao conquistar o Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme entre produções dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no 23º Festival de Cinema de Cuiabá – CineMATO. A premiação ocorreu na noite deste domingo (5), marcando o encerramento de um dos eventos mais tradicionais do Centro-Oeste, que celebra 33 anos de história.

Dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, o filme traz à tona narrativas contemporâneas do povo Guató, com protagonismo das próprias indígenas em cena.

Protagonismo indígena e narrativa contemporânea

A produção se destaca por romper estereótipos ao retratar identidade, resistência e pertencimento indígena em contexto urbano. As atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC interpretam personagens que dialogam diretamente com suas vivências fora das telas.

A história acompanha Fagunda e sua filha Serena, que encontram na arte, especialmente no funk e no hip hop, caminhos para reafirmar suas origens, mesmo distantes do território ancestral.

Reconhecimento que vai além do cinema

Para o diretor, a conquista simboliza a força de produções independentes feitas fora dos grandes centros. Segundo ele, o filme nasce no “interior do interior”, sem estrutura tradicional do mercado, mas com potência narrativa capaz de dialogar nacionalmente.

A escolha de Cuiabá como palco da estreia também carrega simbolismo. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a presença histórica do povo Guató, o que torna o reconhecimento ainda mais significativo.

Circulação nacional e novos espaços

Após o prêmio, “Mapago” segue sua trajetória em festivais pelo país. O curta já tem exibição confirmada no Bonito CineSur, ainda neste mês, e no Festival Guarnicê de Cinema, em agosto, um dos mais antigos do Brasil.

A circulação amplia a visibilidade do audiovisual sul-mato-grossense e fortalece a presença de narrativas indígenas no cinema nacional.

Cinema como espaço de voz

Mais do que um prêmio, “Mapago” representa um movimento crescente: o de indígenas contando suas próprias histórias. A obra nasce da vivência de quem sempre esteve à margem das telas e agora ocupa o centro da narrativa.

O projeto conta com incentivo do Programa Nacional Aldir Blanc, reforçando o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e da diversidade no país.

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