Redação Plenax – Flavia Andrade
O curta-metragem “Mapago” colocou Mato Grosso do Sul em destaque no cenário audiovisual ao conquistar o Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme entre produções dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no 23º Festival de Cinema de Cuiabá – CineMATO. A premiação ocorreu na noite deste domingo (5), marcando o encerramento de um dos eventos mais tradicionais do Centro-Oeste, que celebra 33 anos de história.
Dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, o filme traz à tona narrativas contemporâneas do povo Guató, com protagonismo das próprias indígenas em cena.
Protagonismo indígena e narrativa contemporânea
A produção se destaca por romper estereótipos ao retratar identidade, resistência e pertencimento indígena em contexto urbano. As atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC interpretam personagens que dialogam diretamente com suas vivências fora das telas.
A história acompanha Fagunda e sua filha Serena, que encontram na arte, especialmente no funk e no hip hop, caminhos para reafirmar suas origens, mesmo distantes do território ancestral.
Reconhecimento que vai além do cinema
Para o diretor, a conquista simboliza a força de produções independentes feitas fora dos grandes centros. Segundo ele, o filme nasce no “interior do interior”, sem estrutura tradicional do mercado, mas com potência narrativa capaz de dialogar nacionalmente.
A escolha de Cuiabá como palco da estreia também carrega simbolismo. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a presença histórica do povo Guató, o que torna o reconhecimento ainda mais significativo.
Circulação nacional e novos espaços
Após o prêmio, “Mapago” segue sua trajetória em festivais pelo país. O curta já tem exibição confirmada no Bonito CineSur, ainda neste mês, e no Festival Guarnicê de Cinema, em agosto, um dos mais antigos do Brasil.
A circulação amplia a visibilidade do audiovisual sul-mato-grossense e fortalece a presença de narrativas indígenas no cinema nacional.
Cinema como espaço de voz
Mais do que um prêmio, “Mapago” representa um movimento crescente: o de indígenas contando suas próprias histórias. A obra nasce da vivência de quem sempre esteve à margem das telas e agora ocupa o centro da narrativa.
O projeto conta com incentivo do Programa Nacional Aldir Blanc, reforçando o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e da diversidade no país.

