Redação Plenax – Flavia Andrade
Nova raça reúne genética Angus e Senepol para aliar qualidade de carne, rusticidade e produtividade, mirando diferentes sistemas de produção
A busca por animais mais produtivos e adaptados às condições da pecuária brasileira tem impulsionado o desenvolvimento de novas alternativas genéticas. Entre elas está o Senangus, raça recém-homologada pelo Ministério da Agricultura e resultado do cruzamento entre Senepol e Angus, que reúne características voltadas à produção de carne premium sem abrir mão da adaptação ao clima tropical.
Um dos pioneiros na seleção da nova raça é o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), que aposta no potencial da genética para elevar a qualidade da carne bovina e aumentar a eficiência produtiva das propriedades rurais.
Genética busca unir qualidade e adaptação
Segundo o criador, o Senangus combina atributos considerados estratégicos para a pecuária de corte.
Enquanto o Senepol contribui com rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação às altas temperaturas, o Angus agrega precocidade, ganho de peso e elevado grau de marmoreio da carne, característica valorizada pelos mercados premium.
“Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, afirma Diogo Bianchi.
A raça foi homologada pelo Ministério da Agricultura por meio da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol.
Projeto começou com testes em campo
Os primeiros cruzamentos foram realizados em 2019, quando vacas Senepol receberam genética Angus por inseminação artificial.
De acordo com Bianchi, os resultados superaram as expectativas, especialmente em sistemas de criação exclusivamente a pasto.
“Fiquei impressionado com a rusticidade. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos.”
Além da adaptação ao ambiente, o produtor observou bom desempenho reprodutivo e elevado potencial para sistemas de cruzamento industrial.
Desempenho supera média em fase de desmama
Com o avanço do projeto e o uso de biotecnologias reprodutivas, como transferência de embriões, a produção ganhou escala.
Em 2024, foram implantados 125 embriões Senangus, originando animais que apresentaram média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, criados exclusivamente a pasto.
Segundo o criador, os bezerros registraram desempenho equivalente a 1,5 arroba acima do observado em animais da raça Nelore na mesma fase.
Produção atende diferentes regiões do país
O programa genético trabalha com duas linhagens principais.
Uma delas possui predominância de 75% Angus, voltada à produção de carne premium. A outra concentra 75% de genética Senepol, direcionada a regiões com clima mais desafiador, especialmente Norte e Nordeste, onde a rusticidade é fator determinante.
Além da pecuária de corte, o projeto também prevê o uso da genética em sistemas beef-on-dairy, estratégia que utiliza cruzamentos entre rebanhos leiteiros e raças de corte para agregar valor econômico aos bezerros.
Segundo Bianchi, o objetivo é ampliar as possibilidades de utilização da raça em diferentes modelos produtivos.
Meta é consolidar a raça no mercado nacional
A iniciativa também conta com parcerias entre produtores para acelerar a disseminação da genética.
Entre elas está o projeto Parceria entre Amigos, desenvolvido em conjunto com o pecuarista Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, em Alto Paraíso (PR).
Nos próximos dez anos, a expectativa é formar um plantel de aproximadamente 200 matrizes Senangus e produzir entre 100 e 120 touros por ano, fortalecendo a presença da nova raça na pecuária brasileira e ampliando as alternativas para produtores que buscam maior produtividade e carne de maior valor agregado.
Meta descrição: Nova raça Senangus combina genética Angus e Senepol para produzir carne bovina premium com maior rusticidade, adaptação ao clima tropical e ganho de produtividade na pecuária brasileira.

