Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialista alerta que ambientes fechados, baixa ventilação e mudanças bruscas de temperatura favorecem infecções e exigem medidas preventivas nas propriedades rurais
A chegada do inverno traz um alerta para os produtores de leite. As baixas temperaturas e as mudanças bruscas no clima favorecem o aumento de doenças respiratórias nos rebanhos, comprometendo a saúde dos animais e impactando diretamente a produção leiteira.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), durante o período mais frio do ano os bovinos tendem a permanecer em ambientes fechados e mais próximos uns dos outros, o que facilita a circulação de vírus e bactérias responsáveis por infecções respiratórias.
Para o médico-veterinário Alex Scariot, coordenador técnico da MCassab Nutrição e Saúde Animal na área de bovinos de leite, o inverno reúne fatores que aumentam a vulnerabilidade dos animais.
“O inverno cria um ambiente perfeito para a disseminação de vírus e bactérias, já que os animais ficam mais próximos e vulneráveis”, explica.
Ambientes fechados favorecem infecções
Além da maior concentração dos animais, a redução da ventilação nos galpões contribui para o acúmulo de gases, como a amônia, prejudicando a qualidade do ar e aumentando os riscos de doenças respiratórias.
As oscilações de temperatura também provocam estresse térmico e reduzem a resposta imunológica dos bovinos, tornando o organismo mais suscetível às infecções.
Entre as principais enfermidades registradas nesta época do ano estão a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), o Vírus Sincicial Respiratório Bovino (BRSV), a Parainfluenza Tipo 3 (PI3) e a Diarreia Viral Bovina (BVD). Essas doenças comprometem o sistema imunológico e favorecem a ocorrência de infecções bacterianas secundárias.
Entre as bactérias mais comuns estão Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida e Histophilus somni, frequentemente associadas a quadros graves de pneumonia.
“Os vírus funcionam como porta de entrada para infecções bacterianas mais severas. Quando isso acontece, a recuperação dos animais se torna mais difícil e os prejuízos para a produção aumentam”, ressalta Alex Scariot.
Quais sinais exigem atenção?
O especialista orienta que o produtor acompanhe diariamente o comportamento do rebanho para identificar precocemente possíveis problemas.
Os principais sintomas incluem:
Tosse persistente;
Corrimento nasal e ocular;
Temperatura corporal acima de 39,5°C;
Respiração acelerada ou pela boca;
Isolamento do restante do rebanho;
Cabeça baixa;
Redução no consumo de alimentos.
Ao perceber esses sinais, a recomendação é buscar imediatamente a avaliação de um médico-veterinário para definir o tratamento adequado, que pode incluir antimicrobianos, hidratação e suporte nutricional.
Prevenção é o melhor investimento
De acordo com Alex Scariot, evitar surtos é mais eficiente e econômico do que tratar animais já doentes.
Entre as principais medidas preventivas estão a manutenção de instalações bem ventiladas, sem correntes de ar diretamente sobre os animais, o uso de camas limpas e secas, além do controle da lotação dos galpões para evitar superlotação.
“O diagnóstico precoce ainda é um dos maiores desafios. Muitas vezes, quando os sintomas ficam evidentes, os pulmões dos animais já apresentam lesões importantes. Por isso, investir em prevenção é sempre a estratégia mais eficaz para preservar a saúde do rebanho e a produtividade da propriedade”, conclui o especialista.

