Redação Plenax – Flavia Andrade
Período seco em regiões do Cerrado e mudanças climáticas típicas do inverno aumentam os desafios para manter a produtividade das lavouras
À medida que o inverno se aproxima e o ciclo produtivo do milho de segunda safra entra na fase final, produtores rurais enfrentam um cenário de atenção redobrada. Responsável por cerca de 70% da produção nacional do cereal, a chamada safrinha passa por um período considerado decisivo para a consolidação da produtividade das lavouras.
A combinação entre redução das chuvas, baixa umidade do solo e aumento da incidência de pragas tem gerado preocupação em importantes regiões produtoras do país, especialmente no Cerrado brasileiro.
Segundo Manoel Álvares, gerente de Inteligência de Mercado da ORÍGEO, empresa especializada em soluções para grandes produtores agrícolas, a transição entre o outono e o inverno costuma trazer condições climáticas mais desafiadoras para o milho.
“Historicamente, neste período ocorre redução da umidade do solo no MATOPIBA e em áreas importantes do Centro-Oeste. Esse cenário aumenta os riscos para lavouras implantadas fora da janela ideal de plantio, especialmente quando a cultura entra em fases mais sensíveis do desenvolvimento”, explica.
Regiões enfrentam diferentes desafios
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que as condições climáticas têm impactado de forma distinta os principais estados produtores.
No Maranhão, o atraso na colheita da soja reduziu em quase 20% a janela de plantio do milho segunda safra, levando parte dos agricultores a optar por culturas mais resistentes ao estresse hídrico.
No Piauí, a irregularidade das chuvas encurtou o calendário agrícola e trouxe dificuldades para o enchimento dos grãos, etapa fundamental para o desempenho da produção.
Já no Tocantins, algumas áreas ainda dependem da continuidade das precipitações para manter o potencial produtivo das lavouras.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, a redução das chuvas observada em abril afetou algumas regiões pontualmente. No entanto, o plantio realizado dentro do período recomendado contribuiu para preservar o desenvolvimento das lavouras.
Na Bahia, o cenário é mais favorável. O prolongamento do período chuvoso beneficiou o crescimento das plantas e permitiu até mesmo a implantação de cultivos mais tardios.
Pragas ganham força com o clima seco
Além dos desafios climáticos, produtores também acompanham com preocupação o aumento da presença de pragas à medida que o ciclo da cultura avança.
Na Bahia, por exemplo, já foram registrados casos de maior incidência de cigarrinhas e lagartas nas áreas cultivadas. Embora ainda não tenham causado impactos significativos na produtividade, os insetos estão entre os principais fatores de risco para a reta final da safra.
Especialistas alertam que o clima mais seco e a irregularidade das chuvas favorecem situações de estresse fisiológico nas plantas, tornando-as mais vulneráveis ao ataque de pragas.
Manejo é decisivo para garantir produtividade
Diante desse cenário, o monitoramento constante das lavouras e a adoção de estratégias de manejo adequadas tornam-se fundamentais para evitar perdas.
Segundo Manoel Álvares, o período exige respostas rápidas dos produtores para preservar o potencial produtivo das áreas cultivadas.
“Este é um momento em que o manejo precisa ser ainda mais preciso. O clima mais seco e a instabilidade das chuvas criam condições que favorecem o estresse das plantas e o aumento da presença de insetos. Quem perde a janela de controle pode comprometer significativamente a produtividade da lavoura”, alerta.
Com a colheita se aproximando, a expectativa do setor é de que as condições climáticas das próximas semanas sejam determinantes para confirmar o desempenho da segunda safra, considerada uma das mais importantes para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras de milho.

