Redação Plenax – Flavia Andrade
O agronegócio brasileiro vive um avanço significativo em tecnologia, com acesso a máquinas modernas, sensores, drones e sistemas de agricultura de precisão. Ainda assim, a eficiência na aplicação de defensivos agrícolas segue como um desafio no campo, evidenciando um descompasso entre inovação disponível e uso estratégico dessas ferramentas.
Apesar do arsenal tecnológico, especialistas apontam que as máquinas ainda representam um dos principais gargalos nas aplicações fitossanitárias. O problema não está apenas na disponibilidade dos recursos, mas na forma como são operados e integrados ao sistema produtivo.
A pressão por maior eficiência cresce diante da necessidade de ampliar a produção de alimentos, reduzir perdas e atender a exigências ambientais cada vez mais rigorosas. Nesse cenário, o uso correto das tecnologias torna-se decisivo para garantir produtividade e sustentabilidade.
Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo da Costa Ferreira, professor titular da Unesp de Jaboticabal e coordenador do Núcleo de Estudos e Desenvolvimento da Tecnologia de Aplicação, o setor já dispõe de ferramentas capazes de reduzir perdas e otimizar operações. No entanto, a adoção ainda enfrenta entraves. “Há uma boa oferta de produtos, máquinas e aplicativos, mas isso não significa que estejam sendo utilizados da melhor forma”, afirma.
De acordo com o especialista, problemas como deriva, escolha inadequada de equipamentos e falhas operacionais poderiam ser minimizados com maior alinhamento técnico entre os diferentes elos da cadeia produtiva. “Falta uma orientação mais integrada, que permita uma compreensão mais madura do processo e ajude a reduzir perdas”, explica.
As novas tecnologias vêm transformando a lógica das aplicações agrícolas. Sensoriamento remoto, imagens de satélite e sistemas inteligentes permitem análises detalhadas das lavouras, possibilitando decisões mais precisas dentro de uma mesma área. “As máquinas conseguem gerar informações com mais rapidez e precisão do que o olho humano”, destaca Ferreira.
No entanto, a adoção plena dessas soluções esbarra em uma barreira cultural. O modelo tradicional de trabalho ainda predomina no campo, exigindo uma mudança na forma de planejar, interpretar dados e executar operações.
Para o professor, o futuro do agronegócio passa pela qualificação de profissionais capazes de lidar com esse novo cenário tecnológico. “As inovações continuarão surgindo. É fundamental preparar pessoas não apenas para utilizá-las, mas também para desenvolvê-las e aprimorá-las”, conclui.
AgrochemShow 2026
Os desafios da eficiência na aplicação de defensivos estarão em debate durante o AgrochemShow 2026, que será realizado nos dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo. O evento reunirá especialistas, pesquisadores e profissionais do setor para discutir inovação, tendências e os principais desafios do agronegócio.
Marcelo da Costa Ferreira está entre os palestrantes confirmados e apresentará o tema “Desafios da Aplicação de Fitossanitários em Cenários de Demanda Alimentar e de Exigência Ambiental Crescente”.
As inscrições estão abertas e devem ser realizadas pelo site oficial do evento, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser. Na edição anterior, foram arrecadados 14 toneladas de alimentos, reforçando o caráter social da iniciativa.

