Redação Plenax – Flavia Andrade
Em alusão ao Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, celebrado em 24 de junho, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamento especializado para uma das malformações congênitas mais comuns da face.
Em Mato Grosso do Sul, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) se destaca como uma das poucas unidades hospitalares do país que realizam cirurgias regulares para correção da condição.
Condição pode ser identificada ainda na gestação
A fissura labiopalatina ocorre durante o desenvolvimento fetal e pode atingir o lábio, o palato (céu da boca) ou ambos. Segundo o cirurgião crânio-facial Bruno Ayub, cerca de 90% dos casos têm origem genética, envolvendo uma combinação complexa de fatores hereditários.
Entre os demais fatores associados estão o tabagismo e consumo de álcool durante a gestação, deficiência de ácido fólico, uso de determinados medicamentos e casos de consanguinidade.
Quando afeta o lábio, a condição pode ser identificada ainda no pré-natal por meio de ultrassonografia morfológica. Já as fissuras isoladas no palato frequentemente só são diagnosticadas após o nascimento.
Diagnóstico precoce melhora prognóstico e acolhimento familiar
Para os especialistas, a identificação ainda durante a gestação é um dos principais fatores para melhorar o desfecho clínico.
O acompanhamento prévio permite orientar a família sobre alimentação, amamentação e etapas do tratamento, além de reduzir o impacto emocional do diagnóstico após o nascimento.
Tratamento no Humap envolve equipe multidisciplinar
O Humap-UFMS integra a rede da Rede HU Brasil e realiza o tratamento da fissura labiopalatina por meio de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional.
O hospital também mantém parceria com a Smile Train, que atua no suporte técnico, capacitação de equipes e melhoria da qualidade dos atendimentos.
“O objetivo não é apenas a cirurgia, mas a reabilitação completa do paciente para que ele possa se desenvolver plenamente”, destaca o cirurgião Bruno Ayub.
Cirurgias começam nos primeiros meses de vida
O tratamento cirúrgico geralmente inicia ainda na primeira infância. A correção do lábio ocorre, em média, entre três e seis meses de idade, enquanto a cirurgia do palato é realizada entre um ano e um ano e meio.
Em casos mais complexos, outras intervenções podem ser necessárias ao longo do crescimento, incluindo adolescência e fase adulta.
Sem acompanhamento adequado, a condição pode impactar alimentação, fala, desempenho escolar e integração social.
Atendimento mais próximo das famílias
Nos últimos anos, o fortalecimento da rede de atendimento permitiu ampliar o acesso ao tratamento em Mato Grosso do Sul, reduzindo a necessidade de deslocamento para outros estados.
Hoje, o Humap-UFMS atende pacientes de diferentes regiões do estado, aproximando o cuidado especializado das famílias e fortalecendo o fluxo de diagnóstico e tratamento.
Neste 24 de junho, a mobilização reforça que informação, diagnóstico precoce e encaminhamento adequado são determinantes para garantir qualidade de vida aos pacientes.

