Redação Plenax – Flavia Andrade
Montagem de teatro contemporâneo terá quatro apresentações gratuitas nos dias 27 e 28 de junho no Teatro do Memorial de Curitiba
Os desafios dos relacionamentos, as inquietações do cotidiano e as transformações das conexões humanas na era digital são temas centrais de Mvúka, espetáculo que estreia em Curitiba nos dias 27 e 28 de junho, com quatro apresentações gratuitas no Teatro do Memorial de Curitiba.
A montagem é fruto da parceria entre o Coletivo Independente de Teatro Negro Não Nego e a Funâmbula Coletiva, reunindo teatro, música e performance em uma narrativa que explora os afetos, as memórias e os dilemas da mulher contemporânea.
Com dramaturgia e direção de Loara Gonçalves, a obra convida o público a mergulhar em histórias que transitam entre o íntimo e o coletivo, abordando temas como amor, identidade, tecnologia, excesso de informações e a busca por conexões genuínas em tempos de relações cada vez mais mediadas por dispositivos digitais.
Narrativa poética e personagens singulares
A trama acompanha um grupo de atrizes reunidas em uma sala de ensaio, onde compartilham experiências, lembranças, obsessões e frustrações. A partir dessas vivências, o espetáculo constrói um mosaico de histórias que refletem diferentes perspectivas sobre o universo feminino.
Os personagens possuem nomes inusitados e simbólicos, como Aquela Que, A Outra, Narra Daqui, Narra de Lá e Na Tentativa de, reforçando a linguagem poética e fragmentada da encenação.
Outro elemento marcante da obra é a presença de Alexa, a assistente virtual que surge como personagem e provoca reflexões sobre a influência da tecnologia na construção das relações afetivas e da memória.
Segundo a dramaturga e diretora Loara Gonçalves, a proposta nasceu da vontade de ampliar a presença de narrativas femininas negras nos palcos.
“Sempre quis colocar em cena personagens reais, com suas manias, obsessões e frustrações amorosas, mulheres negras falando sobre amar e ser amada. Mvúka surge como esse espaço de encontro, resgate e também de confusão”, explica.
Música ao vivo amplia a experiência
A música desempenha papel fundamental na construção da narrativa. Instrumentistas acompanham a encenação ao vivo, enquanto canções autorais compostas especialmente para o espetáculo são interpretadas pelo elenco.
A proposta reforça a relação entre palavra, memória e afeto, ampliando as camadas poéticas da montagem e criando uma experiência sensorial para o público.
Teatro negro e representatividade
O espetáculo também dialoga diretamente com a trajetória do Coletivo Negro Não Nego, fundado em Curitiba em 2017 com o objetivo de ampliar a presença de narrativas negras no teatro brasileiro.
Ao longo dos anos, o grupo tem desenvolvido projetos voltados à valorização da ancestralidade, identidade, cidadania, afetos e resistência, fortalecendo a representatividade de pessoas negras e LGBTQIAPN+ nas artes cênicas.
O título da peça, “Mvúka”, remete às ideias de movimento, encontro e transformação, conceitos que atravessam toda a narrativa e ajudam a construir um retrato sensível das experiências femininas contemporâneas.
Serviço
Mvúka
Datas: 27 e 28 de junho
Sessões:
27 de junho – 18h30 e 20h30
28 de junho – 16h30 e 18h
Local: Teatro do Memorial de Curitiba
Rua Claudino dos Santos, 79 – São Francisco, Curitiba (PR)
Entrada gratuita
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Sessões com interpretação em Libras
O projeto foi viabilizado com recursos de emenda parlamentar da deputada Carol Dartora, em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba e o Ministério da Cultura.

