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Estudantes de MS criam robôs para produzir água, reflorestar áreas e modernizar o agro

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Projetos desenvolvidos por alunos de escolas públicas de Sidrolândia, São Gabriel do Oeste e Maracaju mostram como criatividade e tecnologia podem transformar o futuro do campo

A inovação no agronegócio pode começar muito antes dos laboratórios e centros de pesquisa. Em Mato Grosso do Sul, estudantes de escolas públicas estão mostrando que a tecnologia do futuro também nasce dentro da sala de aula. Por meio de projetos de robótica, jovens de Sidrolândia, São Gabriel do Oeste e Maracaju desenvolveram soluções voltadas à agricultura sustentável, ao uso eficiente da água e à preservação ambiental.

As criações fazem parte do projeto Cultura Robótica, realizado pelo Ministério da Cultura e pela Sustentabilidade e Cultura Produções, com patrocínio da Áster, concessionária John Deere em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A iniciativa envolveu cerca de cinco mil estudantes em oficinas que combinaram arte, criatividade e tecnologia para estimular a busca por soluções para desafios reais do campo.

Segundo a coordenadora do projeto, Raíza Araújo, o principal objetivo foi incentivar o pensamento inovador entre crianças e adolescentes.

“Quando falamos em inovação, muitas vezes pensamos em grandes empresas ou centros de pesquisa. Mas toda inovação começa com alguém imaginando algo que ainda não existe. Foi exatamente isso que vimos nas escolas, com estudantes criando soluções para problemas concretos por meio da tecnologia”, destaca.

Robô que produz água conquista primeiro lugar em Sidrolândia

Em Sidrolândia, o grande destaque foi o projeto Blox Ecológico, desenvolvido por estudantes da Escola Municipal Eldorado. O protótipo consiste em um robô capaz de captar a umidade do ar e transformá-la em água por meio de condensação alimentada por energia solar.

A proposta foi pensada para auxiliar comunidades rurais e produtores que enfrentam dificuldades de acesso à água, além de servir como alternativa para irrigação em regiões de clima mais seco.

O segundo lugar ficou com o projeto Boas Ideias, um trator ecológico movido a energia eólica que realiza atividades como plantio, irrigação, colheita e reaproveitamento de resíduos orgânicos.

Já a terceira colocação foi conquistada pelo Carro de Fórmula 1 Coletor de Água, veículo projetado para captar e filtrar água da chuva, transformando-a em água potável.

Colheitadeira inteligente é destaque em São Gabriel do Oeste

Em São Gabriel do Oeste, o primeiro lugar foi para a Colheitadeira Agrônoma, criada por estudantes da Escola Municipal Senador Filinto Muller.

O equipamento foi idealizado para executar diversas tarefas simultaneamente, como colheita, armazenamento e ensacamento de grãos, além de irrigar e adubar o solo durante a operação.

Movida a energia solar e construída com materiais reaproveitados, a proposta busca aumentar a produtividade e reduzir o esforço físico dos trabalhadores rurais.

O segundo lugar ficou com o drone Luke, desenvolvido para lançar sementes em áreas degradadas e monitorar incêndios, erosão e desmatamento.

Na terceira posição apareceu o Robô Faler, projetado para captar a umidade do ar e convertê-la em água para irrigação agrícola.

Monitoramento ambiental lidera projetos em Maracaju

Na etapa realizada em Maracaju, o projeto vencedor foi o P5, desenvolvido por estudantes da Escola Municipal João Pedro Fernandes.

A proposta reúne dois robôs que atuam em conjunto. Enquanto um monitora as condições do solo, o outro realiza varreduras na área para identificar possíveis degradações ambientais e situações que exigem atenção dos produtores.

O segundo lugar ficou com o Robosol, criado para auxiliar em atividades como plantio, pulverização, colheita e transporte de água.

Já a terceira colocação foi para o Avião Monitor e Segurança, uma aeronave inteligente capaz de identificar pragas, acompanhar lavouras, auxiliar na pulverização localizada e emitir alertas para moradores de áreas rurais.

Tecnologia e sustentabilidade desde cedo

Embora tenham sido construídos com materiais simples e reaproveitados, os projetos abordam temas que estão entre os principais desafios do agronegócio moderno, como gestão hídrica, automação, sustentabilidade, monitoramento ambiental e eficiência produtiva.

Para o presidente da Áster, Luiz Piccinin, iniciativas como essa ajudam a aproximar os jovens das transformações que já estão ocorrendo no campo.

“A agricultura vive uma revolução tecnológica e cada vez mais precisa de profissionais capazes de unir conhecimento técnico, criatividade e visão de futuro. Ver estudantes refletindo sobre esses desafios mostra que o interesse pela inovação pode começar muito cedo”, afirma.

Os projetos desenvolvidos pelos estudantes demonstram que o futuro do agro brasileiro pode estar sendo construído agora, por jovens que enxergam na tecnologia uma ferramenta para produzir mais, preservar recursos naturais e tornar o campo cada vez mais sustentável.

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