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Feminicídios caem 11,4% no Brasil e 30 mulheres deixam de ser assassinadas em dois meses

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Dados do Ministério da Justiça apontam redução nos primeiros meses de vigência do Pacto Brasil Contra o Feminicídio

O número de vítimas de feminicídio registrou queda de 11,45% no Brasil nos meses de abril e maio de 2026, segundo levantamento consolidado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Os dados mostram que 232 mulheres foram assassinadas em razão da condição de gênero no período, contra 262 casos registrados nos mesmos meses de 2025.

Na prática, o resultado representa 30 vidas preservadas em comparação com o ano anterior e ocorre nos primeiros meses de implementação do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo Governo Federal em fevereiro deste ano.

Abril teve a maior redução

A queda mais significativa foi observada em abril. O número de feminicídios passou de 142 casos em 2025 para 108 em 2026, representando uma redução de 23,94%.

Já em maio, foram contabilizadas 124 vítimas, número ligeiramente superior aos 120 registros do mesmo período do ano passado.

Mesmo com a alta pontual em maio, o balanço consolidado dos dois meses aponta redução expressiva dos assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero.

Governo atribui resultado à integração das ações

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, os números demonstram a importância da atuação conjunta entre os diferentes órgãos envolvidos na proteção das mulheres.

“Cada feminicídio representa uma tragédia irreparável para famílias, comunidades e para toda a sociedade brasileira. A redução registrada demonstra que a integração entre União, estados, municípios e sistema de Justiça pode produzir resultados concretos quando a proteção das mulheres é tratada como prioridade”, afirmou.

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio reúne ações dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com foco na prevenção da violência, proteção das vítimas, responsabilização dos agressores e fortalecimento das redes de apoio.

Operação Mulher Segura amplia combate à violência

Uma das principais estratégias em andamento é a segunda edição da Operação Mulher Segura, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) em parceria com o Ministério das Mulheres, Polícia Rodoviária Federal, forças estaduais de segurança e guardas municipais.

A operação foi iniciada em 1º de junho e seguirá até dezembro de 2026, com foco no enfrentamento à violência doméstica e na prevenção ao feminicídio.

Nos primeiros 15 dias desta nova fase, foram registrados:

630 prisões relacionadas à violência contra a mulher;
218 ações educativas presenciais;
95 ações de conscientização em redes sociais;
12.452 pessoas alcançadas por atividades preventivas;
Mais de 2 mil mulheres atendidas pelas redes de proteção e acolhimento.

A atual edição sucede a primeira Operação Mulher Segura, realizada entre fevereiro e março deste ano, que resultou na prisão de mais de seis mil agressores em todo o país.

Desafio permanece

Apesar dos números positivos, o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destaca que o combate à violência de gênero continua sendo um desafio permanente.

“A redução observada é um sinal importante, mas o feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo de violência que precisa ser interrompido antes que a tragédia aconteça. Por isso, seguimos fortalecendo ações preventivas, qualificando investigações e ampliando a proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

Segundo o MJSP, a expectativa é que a continuidade das ações integradas contribua para consolidar a tendência de redução ao longo de 2026 e ampliar a proteção às mulheres em todo o território nacional.

Mobilização nacional

O Governo Federal destaca que o enfrentamento ao feminicídio exige atuação contínua e coordenada entre instituições públicas e sociedade civil. A estratégia busca ampliar a capacidade de prevenção, fortalecer os mecanismos de denúncia e garantir atendimento adequado às vítimas de violência.

Os dados divulgados reforçam a importância das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e do fortalecimento das redes de acolhimento para evitar que situações de violência evoluam para desfechos fatais.

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