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Lula cobra mais apoio dos países ricos e alerta para avanço da desigualdade durante Cúpula do G7

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Redação Plenax – Flavia Andrade

Presidente brasileiro defende fortalecimento da cooperação internacional, critica redução da ajuda ao desenvolvimento e pede maior inclusão dos países emergentes nos debates globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (16) que a redução da solidariedade internacional e o aumento das desigualdades entre países ricos e pobres representam alguns dos maiores desafios da atualidade. A declaração foi feita durante seu discurso na Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, onde o Brasil participa como país convidado.

Diante dos líderes das maiores economias do mundo, Lula defendeu maior comprometimento das nações desenvolvidas com políticas de cooperação internacional e combate à pobreza.

“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”, afirmou.

Segundo o presidente, a desigualdade entre países ricos e pobres aumentou nos últimos anos, tornando urgente a adoção de medidas capazes de corrigir distorções no sistema econômico global.

“Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, declarou.

Queda da ajuda internacional preocupa

Durante sua participação, Lula chamou atenção para a redução dos recursos destinados a programas internacionais de desenvolvimento e assistência humanitária.

O presidente destacou que a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento registrou queda de 23% no último ano. Também citou a redução de cerca de 40% no orçamento do Programa Mundial de Alimentos e cortes superiores a 20% nos recursos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Para Lula, esses números impactam diretamente milhões de pessoas em países em desenvolvimento.

“São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, crianças fora da escola, mulheres sem proteção e comunidades vulneráveis diante de doenças que poderiam ser prevenidas”, afirmou.

O presidente também ressaltou que os países em desenvolvimento transferem anualmente cerca de US$ 1,4 trilhão para o pagamento de dívidas, valor que, segundo ele, supera em sete vezes o total da ajuda recebida das nações mais ricas.

Críticas ao neoliberalismo e ao protecionismo

Ao abordar o cenário econômico internacional, Lula criticou políticas que priorizam a desregulamentação dos mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal.

Segundo ele, essas práticas contribuíram para o aumento da desigualdade econômica e para o enfraquecimento das democracias em diversas partes do mundo.

“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, afirmou.

O presidente também alertou para o crescimento de medidas protecionistas e de ações unilaterais adotadas por diferentes países, classificando essas estratégias como respostas insuficientes para os desafios globais.

Brasil apresenta propostas para reduzir desigualdades

Apesar do cenário desafiador, Lula afirmou que existem alternativas capazes de ampliar o desenvolvimento e reduzir disparidades econômicas.

Entre as iniciativas defendidas pelo presidente estão mecanismos de troca de dívida por investimentos climáticos e sociais, além de instrumentos que ampliem a capacidade de investimento dos países mais vulneráveis.

Lula também destacou ações lideradas pelo Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado à conservação ambiental, e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada para compartilhar experiências e fortalecer políticas públicas de combate à insegurança alimentar.

Outro projeto citado foi a proposta de criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade, apresentada pela presidência sul-africana do G20, com o objetivo de subsidiar governos com dados e evidências para a formulação de políticas coordenadas.

Combate ao crime organizado e acesso à tecnologia

No discurso, Lula também abordou temas relacionados à segurança internacional. O presidente elogiou a declaração do G7 voltada ao combate ao tráfico de drogas, mas defendeu que o enfrentamento ao crime organizado inclua ações contra a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.

Segundo ele, a cooperação internacional e o fortalecimento de instituições como a Interpol são fundamentais para combater redes criminosas transnacionais.

Na reta final da fala, Lula ressaltou a importância de ampliar o acesso dos países em desenvolvimento às novas tecnologias, especialmente à inteligência artificial, e defendeu maior participação das nações detentoras de minerais estratégicos nas etapas mais rentáveis da cadeia produtiva.

“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, afirmou.

Para o presidente, o desenvolvimento tecnológico deve estar associado à transferência de conhecimento, industrialização e geração de oportunidades para os países produtores de recursos minerais considerados essenciais para a economia do futuro.

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