Redação Plenax – Flavia Andrade
Alta dos reajustes nos contratos coletivos impulsiona consumidores a procurar alternativas mais acessíveis no mercado
O aumento dos custos dos planos de saúde tem levado milhares de brasileiros a reverem seus contratos e buscar opções mais econômicas. Dados da plataforma Click Planos apontam que as buscas por planos com intenção de contratação cresceram mais de 2.200% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, refletindo o impacto dos reajustes sobre o orçamento das famílias.
O movimento ocorre em meio a uma escalada dos preços dos planos coletivos. Entre 2015 e 2025, os reajustes acumulados nessa modalidade chegaram a 383,5%, percentual mais de quatro vezes superior à inflação oficial do período, que ficou em 84%.
Somente em 2025, os contratos coletivos com até 30 beneficiários registraram reajuste médio de 14,81%, mais que o dobro do índice de 6,06% autorizado para os planos individuais. O cenário tem pressionado especialmente microempreendedores individuais (MEIs), autônomos e pequenos empresários, que frequentemente recorrem aos planos empresariais e ficam mais expostos às variações de preço.
O Brasil encerrou 2025 com 13,1 milhões de microempreendedores individuais ativos. No mesmo ano, foram abertos 4,6 milhões de novos CNPJs, sendo 77% deles enquadrados como MEI. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, mais de 1 milhão de novos negócios foram formalizados no país.
Migração em busca de economia
Diante da pressão financeira, cresce o número de consumidores que trocam planos individuais ou por adesão por modalidades empresariais. Segundo levantamento da Click Planos, a mudança pode gerar economia média de 28%, chegando a ultrapassar 50% em determinadas operadoras e perfis de contratação.
Em um dos exemplos analisados pela plataforma, um plano com cobertura semelhante teve o valor reduzido de R$ 631 para R$ 256 por mês. Na prática, a diferença representa uma economia anual próxima de R$ 4,5 mil.
De acordo com a empresa, a comparação de preços e coberturas tem se tornado um fator decisivo na contratação. A digitalização do setor também contribui para esse processo, oferecendo aos consumidores acesso mais rápido a informações sobre planos, redes credenciadas e custos.
Consumidor mais informado muda o mercado
A mudança de comportamento já provoca reflexos no setor. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o número de simulações realizadas na plataforma saltou de 140 para 3.304, demonstrando um aumento expressivo do interesse dos consumidores por alternativas mais vantajosas.
Além da busca por preços menores, o levantamento identificou mudanças no padrão de escolha das unidades de atendimento. Hospitais localizados fora dos tradicionais centros de maior procura passaram a registrar crescimento na demanda, indicando uma descentralização das preferências dos usuários.
Atualmente, a plataforma reúne mais de 100 operadoras, centenas de planos e milhares de clínicas e hospitais cadastrados, permitindo uma comparação mais ampla entre valores, coberturas e redes de atendimento.
Para especialistas do setor, a tendência é que o consumidor passe a basear suas decisões cada vez mais em critérios de custo-benefício e acesso, reduzindo o peso da tradição das marcas na escolha dos planos. O avanço das ferramentas digitais também deve ampliar a concorrência entre operadoras e aumentar a pressão por maior transparência na formação dos preços.
Com consumidores mais informados e atentos aos gastos, o mercado de saúde suplementar vive uma transformação que pode redefinir a forma como os brasileiros contratam seus planos de saúde nos próximos anos.

