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Terapia com células CAR-T avança no combate ao câncer e passa a ser usada mais cedo no tratamento

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

A terapia com células CAR-T, considerada uma das maiores inovações da oncologia nos últimos anos, vem ganhando espaço cada vez mais cedo no tratamento de pacientes com câncer hematológico. Antes indicada apenas em estágios avançados da doença, a tecnologia agora começa a ser utilizada em fases anteriores, ampliando as chances de remissão e melhor resposta clínica.

Segundo o hematologista Renato de Castro, o avanço dos estudos clínicos e os resultados positivos observados em pacientes contribuíram para a mudança no protocolo terapêutico. “Quanto mais precoce a indicação, maiores são as chances de remissão da doença”, afirma o especialista.

Desenvolvida há cerca de dez anos, a terapia CAR-T era inicialmente aplicada apenas como quinta linha de tratamento — quando todas as outras alternativas já haviam falhado. Atualmente, em alguns casos, ela já é utilizada como segunda linha e, em determinados cenários, até mais cedo.

Como funciona a terapia CAR-T

A terapia utiliza os próprios linfócitos T do paciente — células de defesa do organismo — que passam por uma modificação genética em laboratório para reconhecer e destruir células cancerígenas.

Após a coleta no Brasil, as células são enviadas ao exterior, onde recebem os chamados receptores quiméricos de antígeno (CAR). Depois do processo de manipulação genética, elas retornam ao país para serem reinfundidas no paciente.

O tratamento é utilizado principalmente em cânceres hematológicos, como:

leucemia linfoblástica aguda de células B;
linfoma não Hodgkin;
mieloma múltiplo.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou medicamentos desenvolvidos com essa tecnologia, entre eles:

ciltacabtegene autoleucel;
axicabtagene ciloleucel;
tisagenlecleucel.
Estudos mostram resultados promissores

Pesquisas internacionais vêm reforçando o potencial da terapia CAR-T no aumento da sobrevida e no controle da progressão do câncer.

Um dos estudos mais relevantes, o CARTITUDE-4, mostrou redução de 59% no risco de progressão da doença ou morte em pacientes com mieloma múltiplo quando comparado ao tratamento padrão. O resultado levou a agência reguladora norte-americana FDA a antecipar o uso da terapia em determinados casos.

Outro levantamento, o estudo JULIET, acompanhou pacientes com linfoma de grandes células B durante cinco anos e apontou que 61% dos participantes permaneceram livres de recaída nesse período.

Já o estudo ELIANA registrou taxa global de remissão de 82% em crianças e jovens com leucemia linfoblástica aguda de células B recidivada ou refratária.

Terapia pode beneficiar pacientes idosos

Apesar de ser uma tecnologia recente e altamente complexa, a terapia CAR-T também pode ser indicada para pacientes acima dos 70 anos, desde que não apresentem comorbidades graves, como insuficiência cardíaca severa, cirrose hepática ou insuficiência renal avançada.

Os efeitos iniciais aparecem gradualmente após cerca de um mês da reinfusão das células, mas as respostas mais significativas costumam ser observadas após o terceiro mês.

Cânceres hematológicos exigem atenção

Os cânceres hematológicos afetam a medula óssea, o sistema linfático e as células sanguíneas, comprometendo a produção saudável do sangue.

Entre os principais tipos estão:

Leucemia

Doença que provoca proliferação descontrolada das células brancas do sangue na medula óssea, causando anemia, infecções e sangramentos.

Linfoma não Hodgkin

Caracterizado pelo crescimento desordenado de células do sistema linfático. Pode apresentar comportamento agressivo ou indolente, dependendo do subtipo.

Mieloma múltiplo

Tumor que afeta os plasmócitos, células responsáveis pela defesa do organismo. É mais comum em idosos e pode provocar lesões ósseas, insuficiência renal e anemia.

Especialistas avaliam que o avanço das terapias celulares representa uma nova fronteira no tratamento do câncer, principalmente pela possibilidade de personalização da terapia e pelos índices de resposta considerados animadores pela comunidade científica.

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