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Genômica e reprodução aceleram evolução do Nelore no Pantanal sem romper dinâmica das cheias

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Tecnologias como IATF, FIV e avaliação genética ajudam pecuária pantaneira a ampliar produtividade respeitando o ciclo natural das águas

Produzir gado no Pantanal exige adaptação constante ao ritmo das cheias e secas, que moldam o manejo do rebanho ao longo do ano. Dentro dessa realidade, o Nelore Cometa vem combinando tecnologias de reprodução e melhoramento genético com práticas tradicionais do sistema pantaneiro para ampliar produtividade sem romper a dinâmica natural do bioma.

Entre as ferramentas utilizadas estão a avaliação genômica, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e técnicas como a Fertilização In Vitro (FIV), aplicadas para aumentar a precisão na seleção genética e acelerar a multiplicação dos animais considerados superiores.

Segundo o zootecnista Fábio Eduardo Ferreira, técnico de campo da ABCZ e responsável pelo projeto de melhoramento genético do grupo, o uso da genômica elevou a confiança nas decisões relacionadas ao rebanho.

“A ferramenta aumentou a acurácia das estimativas genéticas, permitindo identificar precocemente os animais superiores e tomar decisões mais assertivas sobre multiplicação e descarte”, explica.

O especialista afirma que a tecnologia passou a influenciar diretamente a estratégia de reprodução do rebanho, principalmente na escolha de matrizes destinadas à FIV e de animais selecionados para continuidade do programa genético.

Manejo respeita ciclo das águas no Pantanal

Apesar do avanço tecnológico, a lógica produtiva segue alinhada às condições naturais do Pantanal. A operação considera fatores ambientais como áreas alagadas, deslocamento dos animais durante o período de cheia e maior vulnerabilidade dos bezerros.

Segundo Francis Maris Cruz, produzir no Pantanal exige convivência com o ambiente, e não enfrentamento da natureza.

“No Pantanal existem duas estações muito distintas: a seca e o período das águas. Fazer pecuária nesse ambiente exige adaptação permanente ao ciclo natural da região”, afirma.

Dentro dessa estratégia, a IATF é utilizada para concentrar os nascimentos entre agosto e outubro, permitindo a realização da desmama precoce antes do período mais intenso das cheias.

A prática busca proteger principalmente os bezerros, considerados mais sensíveis às condições do terreno alagado, especialmente em relação à saúde dos cascos.

Após a desmama, os animais jovens são transferidos para áreas mais altas ou outras propriedades da operação, onde seguem o desenvolvimento fora das regiões mais impactadas pelas águas.

Seleção genética prioriza rusticidade e adaptação

Além do desempenho produtivo, a seleção genética do Nelore Cometa considera características ligadas à rusticidade, resistência e capacidade de adaptação ao ambiente pantaneiro.

O uso de sêmen de touros melhoradores e reprodutores presentes em centrais de inseminação faz parte da estratégia para fortalecer um rebanho capaz de produzir em condições consideradas desafiadoras para a pecuária brasileira.

Ao unir ferramentas de genética avançada e manejo adaptado ao ciclo das águas, o grupo busca mostrar que é possível incorporar tecnologia à produção sem descaracterizar o modelo tradicional da pecuária pantaneira.

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