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Dívida milionária da prefeitura com fornecedores agrava falta de remédios em Campo Grande, aponta MPE

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

A crise no abastecimento de medicamentos e insumos na rede municipal de saúde de Campo Grande ganhou um novo capítulo após investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Segundo o órgão, a principal causa da falta de remédios, materiais hospitalares e itens para exames seria uma dívida acumulada de R$ 197,6 milhões da prefeitura com fornecedores da área da saúde.

A apuração é conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça da Capital e teve início após denúncias feitas por empresas contratadas pelo município, que relataram atrasos prolongados nos pagamentos por serviços prestados, principalmente no fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares.

De acordo com o MPMS, algumas empresas estão há mais de 500 dias sem receber pelos contratos executados. O cenário, segundo a promotoria, coloca em risco o abastecimento das unidades de saúde e compromete diretamente o atendimento à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, a prefeitura teria acumulado R$ 285,8 milhões em débitos com fornecedores da saúde. Apesar de pagamentos parciais que somam R$ 88,2 milhões, ainda restaria um passivo de R$ 197,6 milhões.

O Ministério Público também apontou que somente em 2026 já foram identificados mais de R$ 5 milhões em dívidas com empresas responsáveis pelo fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares.

A investigação contraria declarações feitas anteriormente pela administração municipal, que atribuiu a falta de medicamentos a supostas falhas ou boicotes de servidores e fornecedores. Agora, o MPMS busca esclarecer se os atrasos financeiros são, de fato, o principal motivo do desabastecimento enfrentado nas unidades de saúde da Capital.

“O acúmulo de dívidas já tem reflexos práticos na rede municipal. A falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares tem sido recorrente”, destacou o órgão em nota.

Além da investigação sobre os débitos, o Tribunal de Contas da União (TCU) também apura denúncia envolvendo possível desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde, conforme representação feita pelo Conselho Municipal de Saúde.

Enquanto a crise na saúde se agrava, a gestão da prefeita Adriane Lopes também foi alvo de críticas após reajustes salariais concedidos ao primeiro escalão da administração. O salário da chefe do Executivo municipal passou de R$ 21,2 mil para R$ 31,9 mil. Já secretários municipais tiveram aumento de até 50% nos vencimentos.

A atual gestão ainda é alvo de investigações relacionadas a supostos esquemas de corrupção, incluindo operações como “Cascalhos de Areia”, “Apagar das Luzes” e “Buraco Sem Fim”, realizadas nos últimos anos por órgãos de controle e investigação.

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