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Estudo inédito aponta avanço no tratamento de pacientes graves com monitoramento cerebral sem cirurgia

Foto: Divulgação

Redação Plenax

Pesquisa publicada em revista internacional valida método não invasivo para ajustar pressão cerebral de pacientes neurocríticos

Um estudo inédito publicado na revista científica Critical Care revelou que a monitorização não invasiva da complacência cerebral pode revolucionar o tratamento de pacientes em estado crítico com lesões neurológicas graves.

A pesquisa demonstrou, pela primeira vez em nível global, que é possível utilizar um método não invasivo para orientar de forma individualizada o ajuste da perfusão cerebral, mecanismo responsável por garantir a chegada adequada de sangue ao cérebro.

O trabalho foi liderado pelo neurocirurgião Sérgio Brasil, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e publicado em abril pela BioMed Central, do grupo Springer Nature.

Método pode ampliar segurança de pacientes neurocríticos

Segundo os pesquisadores, pacientes vítimas de traumatismo craniano, AVC, sepse, parada cardíaca ou falência hepática frequentemente apresentam falhas nos mecanismos naturais de autorregulação da circulação cerebral.

Nesses casos, controlar a pressão arterial de maneira precisa é essencial para evitar danos adicionais ao cérebro.

Até então, o acompanhamento mais preciso dependia de um procedimento invasivo, com inserção cirúrgica de cateteres no cérebro para medir a pressão intracraniana.

Além do alto custo, o método também apresenta riscos clínicos importantes para pacientes já fragilizados.

Tecnologia brasileira mostrou alta correlação com método invasivo

O estudo utilizou a tecnologia da brain4care, empresa especializada em monitoramento não invasivo da complacência intracraniana.

A ferramenta permite acompanhar em tempo real alterações na pressão cerebral sem necessidade de cirurgia.

Os resultados mostraram alta correlação entre os dados obtidos pelo equipamento não invasivo e os resultados considerados padrão ouro na medicina intensiva.

Com isso, os pesquisadores concluíram que o método pode servir como guia seguro para decisões clínicas relacionadas ao manejo hemodinâmico cerebral.

Medicina intensiva caminha para tratamento mais personalizado

Para Sérgio Brasil, o avanço representa uma mudança importante no cuidado neurointensivo.

“Antes, muitas decisões eram tomadas de forma empírica, baseadas principalmente na experiência médica. Agora conseguimos individualizar melhor o tratamento e reduzir riscos”, explicou.

Segundo o estudo, a nova abordagem abre caminho para terapias mais personalizadas, permitindo ajustes mais precisos da pressão arterial e da perfusão cerebral conforme as necessidades específicas de cada paciente.

Pesquisa envolveu pacientes com traumatismo craniano e AVC

O levantamento analisou dados retrospectivos de 114 pacientes com doenças neurológicas graves.

Entre os principais casos avaliados estavam:

traumatismo cranioencefálico grave;
hemorragia subaracnóidea;
hematomas intracranianos;
AVC isquêmico.

Ao todo, foram realizadas 268 sessões de monitoramento simultâneo entre métodos invasivos e não invasivos.

Os pesquisadores reforçam que o avanço pode ampliar o acesso à monitorização cerebral em hospitais com menos estrutura e reduzir custos relacionados ao tratamento intensivo neurológico.

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