Redação Plenax – Flavia Andrade
Operações internacionais ligadas ao agronegócio brasileiro, que antes levavam de dois a cinco dias úteis para serem concluídas, já podem ser liquidadas em segundos em modelos específicos baseados em uma nova infraestrutura financeira, segundo a TCR Finance, fintech brasileira especializada em liquidação internacional com uso de stablecoins integradas ao sistema bancário tradicional.
De acordo com a empresa, companhias já operam em fluxos híbridos que combinam redes bancárias, o sistema de pagamentos instantâneos Pix e ativos digitais para acelerar transações internacionais e reduzir fricções em cadeias globais, incluindo o agronegócio.
Operações mais rápidas e impacto no fluxo de caixa
Segundo o CEO da TCR Finance, Ricardo Farhat, a redução no tempo de liquidação não se limita à velocidade do pagamento, mas impacta diretamente a gestão financeira das empresas.
“Quando uma empresa consegue liquidar uma operação internacional em menos de um minuto, ela não está apenas pagando mais rápido. Está reduzindo exposição cambial, otimizando fluxo de caixa e operando com uma margem de manobra que o sistema tradicional simplesmente não oferece”, afirma.
Na prática, operações de importação e exportação — como compra de insumos dolarizados ou recebimento por commodities — podem ser concluídas em menos de um minuto em determinados fluxos, com rastreabilidade e conciliação automatizada entre sistemas financeiros.
Integração entre bancos, Pix e ativos digitais
A infraestrutura da TCR conecta a conversão entre real e moedas estrangeiras, incluindo dólares digitais como USDT e USDC, a sistemas bancários internacionais via SWIFT, RTP e Wire, além do Pix. O modelo permite liquidação entre diferentes moedas em um único fluxo operacional.
Segundo a fintech, isso reduz a dependência de janelas tradicionais do sistema bancário e permite que empresas realizem conversões cambiais e pagamentos internacionais em tempo quase real.
O COO da empresa, Gabriel Boni, destaca que o principal impacto está na eliminação de atrasos operacionais. “Eliminar essa fricção acelera operações e também muda o funcionamento das cadeias globais”, diz.
Reflexos diretos no agronegócio
O modelo é especialmente relevante para setores expostos ao mercado internacional, como o agronegócio. Insumos como fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas são dolarizados, enquanto exportações de commodities são negociadas em moeda estrangeira, exigindo maior previsibilidade no câmbio.
Com a liquidação mais rápida, empresas passam a ter maior controle sobre o momento da conversão cambial, o que pode influenciar estratégias de hedge e gestão de fluxo de caixa.
“Velocidade e previsibilidade tendem a caminhar juntas, e setores que dependem de cadeias globais devem sentir esse impacto de forma mais direta”, afirma Farhat.
Integração entre sistemas financeiros
Do ponto de vista técnico, a solução não substitui bancos tradicionais, mas integra diferentes sistemas de pagamento. A arquitetura combina trilhos bancários, redes de pagamento instantâneo e liquidez digital para viabilizar operações internacionais.
“Não existe um novo sistema financeiro isolado. Existe a orquestração entre infraestruturas que já existem”, explica o CTO da TCR Finance, Márcio Souza.
A plataforma também permite que pagamentos iniciados via Pix no Brasil sejam liquidados em dólar ou dólar digital no exterior, ampliando a interoperabilidade entre sistemas locais e globais.
Operação e volume transacionado
Segundo dados da própria empresa, a TCR Finance movimentou mais de R$ 2 bilhões em transações internacionais entre 2024 e 2025, atendendo companhias de setores como agronegócio e eletroeletrônicos.
A fintech afirma atuar em conformidade com normas de compliance, incluindo identificação de clientes, monitoramento de transações e auditoria completa das operações.
Além da operação direta, a empresa oferece sua infraestrutura no modelo Banking as a Service (BaaS), permitindo que outras fintechs integrem serviços de câmbio e pagamentos internacionais via APIs.

