Redação Plenax – Flavia Andrade
Com ESG integrado à estratégia, negócios paranaenses ampliam acesso a mercados, reduzem riscos e fortalecem sua posição em cadeias globais
Quando entrou no radar corporativo, a sustentabilidade era vista apenas como uma pauta institucional, mas, na atualidade, já se tornou um fator direto de competitividade nas empresas paranaenses. Em um ambiente de negócios cada vez mais orientado por rastreabilidade, compliance, eficiência operacional e governança, práticas ESG vêm ganhando espaço como instrumentos de acesso a mercados, atração de investimentos, redução de riscos e fortalecimento reputacional.
O movimento acompanha uma tendência nacional e internacional. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), integrar critérios ambientais, sociais e de governança à estratégia empresarial é essencial para ampliar o acesso a mercados, atrair investimentos e impulsionar a produtividade de forma sustentável. Para a entidade, o ESG precisa estar conectado ao planejamento das empresas para gerar valor a colaboradores, clientes, fornecedores e à sociedade.
No Paraná, isso ganha ainda mais relevância diante da força exportadora do estado e da ampliação das relações com mercados internacionais. Em 2025, as exportações paranaenses para a União Europeia somaram US$ 2,46 bilhões, o equivalente a 10,4% das vendas externas do estado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços compilados pelo IPARDES. Já em abril de 2026, as exportações totais do Paraná chegaram a US$ 2,24 bilhões, alta de 7,74% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A intensificação das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia também reforça a necessidade de adaptação das empresas a novos padrões ambientais e sociais. De acordo com a Comissão Europeia, o acordo comercial UE-Mercosul, aplicável provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026, cria uma zona comercial que abrange cerca de 700 milhões de pessoas e busca impulsionar parcerias econômicas preservando normas ambientais, consumidores e agricultores europeus.
Para Cris Baluta, CEO da Roadimex Ambiental Ltda, conselheira da AHK Paraná e coordenadora do Comitê de ESG da entidade, a mudança já é estrutural. “O ESG saiu do discurso e entrou definitivamente na estratégia empresarial. Empresas que compreendem isso antes conseguem acessar oportunidades antes”, afirma. Segundo ela, o mercado internacional não compra apenas produto: adquire também segurança, rastreabilidade, governança, previsibilidade e reputação.
Na avaliação de Cris, empresas mais maduras em ESG são aquelas que transformam sustentabilidade em decisão empresarial. Isso significa trabalhar com indicadores, governança, rastreabilidade, compliance, monitoramento de riscos e decisões baseadas em dados. “O mercado atual não busca narrativas. Busca evidências”, destaca.
Entre as práticas com impacto mais concreto estão economia circular, logística reversa, eficiência energética e hídrica, redução de passivos ambientais, gestão de resíduos e controle de indicadores ESG. Para Cris, essas iniciativas reduzem desperdícios, melhoram a eficiência, fortalecem marcas e ampliam a capacidade de antecipação das empresas diante de mudanças regulatórias, econômicas e geopolíticas.
Essa visão também é compartilhada por empresas que atuam diretamente no desenvolvimento de soluções ambientais. Para Luciano Ávila, diretor da Harbauer do Brasil, incorporar sustentabilidade ao negócio significa ir além da comunicação institucional. “A incorporação dá transparência, alinha o foco em ações concretas e na criação de valor a longo prazo. Ela traz uma indicação clara de resultados, mudança de cultura e de processos. Sem essa incorporação, a comunicação de ESG é apenas marketing, frágil e desconectada da estratégia”, afirma.
Desenvolvimento de soluções ambientais
A Harbauer do Brasil atua no desenvolvimento de soluções ambientais e, atualmente, trabalha em projetos-piloto com concessionárias de abastecimento de água. Segundo Luciano, as cooperações técnicas têm como objetivo apresentar meios filtrantes seletivos para remoção de contaminantes de difícil tratabilidade. “São sistemas de baixo custo e vida útil prolongada. Estamos na fase de montagem desses sistemas”, explica.
Embora os projetos ainda estejam em desenvolvimento, a iniciativa ilustra uma tendência importante: a busca por soluções ambientais aplicáveis, escaláveis e conectadas a problemas reais da operação. No setor de saneamento, por exemplo, tecnologias capazes de ampliar a eficiência no tratamento de água e na remoção de contaminantes podem representar ganhos ambientais, econômicos e regulatórios.
Luciano também observa que as soluções ambientais e sociais já deixaram de ser apenas diferenciais. “Além da competitividade, já é uma necessidade de mercado. A inserção do terceiro setor em programas corporativos, aliada ao cenário ambiental, reduz bastante a margem de impactos financeiros”, avalia.
Para Cris Baluta, esse movimento também se conecta à gestão de risco. Seguradoras, bancos, investidores e grandes cadeias internacionais já observam critérios como governança, histórico operacional, compliance ambiental, segurança operacional e rastreabilidade. “Empresas mais estruturadas em ESG tendem a possuir menor exposição a riscos jurídicos, ambientais, operacionais e reputacionais”, afirma.
Nesse contexto, o Comitê de ESG da AHK Paraná atua como espaço de conexão entre empresas brasileiras e tendências internacionais, especialmente europeias. A iniciativa aproxima associados de debates sobre competitividade, compliance, inovação, internacionalização e posicionamento empresarial. “Quem entende antes, se adapta antes, se posiciona antes e acessa mercado antes”, reforça Cris.

