Redação Plenax – Flavia Andrade
A Suzano, maior produtora mundial de celulose, alcançou um marco ambiental em Mato Grosso do Sul ao zerar a destinação de resíduos industriais para aterros na unidade de Três Lagoas. Todo o material gerado no processo industrial passou a ser reaproveitado na produção de corretivos de solo e fertilizantes orgânicos utilizados no setor agrícola.
A iniciativa já resultou na produção de mais de 280 mil toneladas de corretivos de solo e 46 mil toneladas de fertilizantes orgânicos, abastecendo mais de 400 produtores rurais em 62 municípios brasileiros — sendo 15 deles em Mato Grosso do Sul.
Resíduos viram insumos agrícolas
O projeto é desenvolvido em parceria com a empresa Vida, especializada em soluções ambientais, e faz parte dos investimentos realizados pela companhia nos últimos cinco anos na ampliação da Central de Tratamento de Resíduos da unidade de Três Lagoas.
Desde o início da operação, mais de 776 mil toneladas de resíduos industriais foram reaproveitadas e reinseridas na cadeia produtiva.
Segundo Eduardo Ferraz, diretor de Operações Industriais da Suzano em Três Lagoas, a iniciativa fortalece o modelo de economia circular adotado pela empresa.
“Hoje conseguimos reaproveitar integralmente os resíduos da produção de celulose, transformando-os em insumos que retornam ao campo e ao ciclo produtivo. Isso demonstra que é possível operar em larga escala com eficiência e sustentabilidade”, afirmou.
Produção quase dobrou em cinco anos
Os números mostram o crescimento da estratégia ambiental adotada pela empresa. Em 2020, a produção de insumos agrícolas era de aproximadamente 36 mil toneladas. Já em 2025, o volume ultrapassou 67 mil toneladas, representando crescimento próximo de 90%.
Em Três Lagoas, considerada um dos principais polos da indústria florestal do país, a iniciativa também fortalece a cadeia agrícola regional, ampliando o acesso de produtores rurais a fertilizantes e corretivos de solo.
Além da redução dos impactos ambientais, a proposta contribui para geração de emprego, fortalecimento de empresas parceiras e maior eficiência no uso de recursos naturais.
Central de Tratamento ganhou ampliação
A Central de Tratamento de Resíduos da unidade foi criada inicialmente para produzir corretivos de solo utilizados nas próprias florestas da Suzano.
Em 2021, a estrutura passou por ampliação e começou também a fabricar fertilizantes orgânicos.
Com os investimentos, a capacidade de produção de corretivos saltou de 2,5 mil toneladas por mês para 5 mil toneladas mensais. Já a planta de fertilizantes orgânicos passou a ter capacidade para produzir até mil toneladas de fertilizantes e 1,5 mil toneladas de substrato orgânico por mês.
Processo reaproveita resíduos da produção de celulose
Os fertilizantes são produzidos a partir do reaproveitamento de lodos oriundos da Estação de Tratamento de Efluentes e cascas de eucalipto que antes seriam descartadas.
Já os corretivos de solo utilizam resíduos industriais inorgânicos gerados durante o processamento da celulose, como cal, dregs, grits e cinzas de biomassa.
Segundo a companhia, a proposta integra a estratégia de sustentabilidade e inovação da empresa, que busca ampliar a produção de itens renováveis e reduzir impactos ambientais em toda a cadeia produtiva.

