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Infectologista do Humap-UFMS faz alerta sobre hantavirose após novos casos e morte no país

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Doença transmitida por roedores silvestres pode provocar complicações respiratórias graves e tem alta taxa de mortalidade

Após a confirmação recente de casos de hantavirose no Paraná e o registro de uma morte em Minas Gerais, especialistas reforçam o alerta sobre os riscos da doença, considerada grave e com elevado potencial de mortalidade. A hantavirose é transmitida principalmente pelo contato com partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres contaminados pelo hantavírus.

No Brasil, a manifestação mais comum da doença é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que costuma iniciar com sintomas semelhantes aos de uma gripe, dificultando o diagnóstico precoce.

De acordo com o infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da UFMS (Humap-UFMS/Ebserh), Dr. Alexandre Albuquerque Bertucci, os primeiros sintomas podem surgir entre cinco e cinquenta dias após a exposição ao vírus.

“As síndromes cardiopulmonares por hantavírus apresentam sintomas iniciais muito inespecíficos, frequentemente confundidos com quadros gripais. A doença geralmente começa com febre, dores musculares, dor de cabeça, calafrios, dor abdominal e vômitos, evoluindo posteriormente para tosse, falta de ar, taquicardia e hipotensão”, explica o especialista.

Doença pode evoluir rapidamente

Segundo o infectologista, a evolução da doença pode provocar aumento da permeabilidade vascular, levando ao edema pulmonar e choque cardiogênico, fatores que contribuem para a alta taxa de mortalidade, estimada entre 20% e 45%.

“Até o momento não existe tratamento antiviral específico aprovado para o hantavírus. Por isso, a suspeita clínica precoce e o suporte médico adequado são fundamentais para reduzir os riscos de agravamento”, destaca Bertucci.

O médico orienta que pessoas com febre persistente por mais de 48 horas, associada a dores no corpo, vômitos, diarreia, dor abdominal ou dificuldade respiratória, procurem atendimento médico, principalmente após contato com áreas infestadas por roedores ou viagens para regiões endêmicas.

Áreas rurais e ambientes fechados aumentam o risco

Entre os principais fatores de risco estão atividades rurais e a limpeza de depósitos, celeiros, estábulos, galpões fechados e locais abandonados, situações que favorecem a inalação de poeira contaminada.

Para prevenir a doença, o especialista reforça a importância de evitar contato com roedores e seus dejetos. As recomendações incluem vedar frestas e aberturas em residências e depósitos, armazenar corretamente alimentos e rações, eliminar entulhos próximos às casas e controlar fontes de água que possam atrair os animais.

Durante a limpeza de ambientes fechados ou com suspeita de infestação, o uso de equipamentos de proteção individual é indispensável.

“É importante utilizar luvas e máscaras, ventilar bem o ambiente e umedecer o local com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza. Deve-se evitar varrer ou aspirar, pois isso pode suspender partículas contaminadas no ar e facilitar a inalação”, orienta.

Transmissão entre pessoas é rara

O infectologista também esclarece que ratos urbanos, como ratazanas e camundongos, não são os principais transmissores da hantavirose no Brasil. A maioria dos casos está associada a roedores silvestres encontrados em áreas rurais e de mata.

Outro ponto que chama atenção é a possibilidade rara de transmissão entre pessoas. Segundo Bertucci, apenas a variante Andes do hantavírus, identificada na América do Sul, possui comprovação científica de transmissão interpessoal.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou casos registrados no navio de cruzeiro MV Hondius, durante viagem entre a Argentina e Cabo Verde, com indícios de possível transmissão entre passageiros. No entanto, os casos registrados no Brasil não possuem relação com o episódio investigado no cruzeiro.

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