Redação Plenax – Flavia Andrade
As mudanças climáticas e os eventos ambientais extremos têm ampliado os desafios da fruticultura brasileira. Culturas como citros, uva, maçã e manga estão entre as mais afetadas por fatores como estiagem, altas temperaturas e salinidade do solo, condições conhecidas como estresses abióticos e que comprometem diretamente a produtividade e a qualidade dos frutos.
Diante desse cenário, produtores rurais têm recorrido a soluções naturais para reduzir os impactos nas lavouras e preservar o potencial produtivo dos pomares. Entre as alternativas que vêm ganhando espaço estão os bioestimulantes à base de extratos de algas marinhas.
Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond no Brasil e Paraguai, os extratos da alga Ascophyllum nodosum têm se destacado pela capacidade de aumentar a tolerância das plantas em condições adversas.
A espécie é encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, em regiões do Canadá, Irlanda e Noruega, ambientes marcados por fortes oscilações climáticas, elevada salinidade e variações intensas de temperatura.
“Essas condições extremas favoreceram o desenvolvimento de mecanismos naturais de resistência. Quando transferidos para as plantas cultivadas por meio dos extratos, esses compostos ajudam a aumentar a tolerância aos diferentes tipos de estresse”, explica Carloto.
De acordo com estudos e aplicações no campo, os compostos presentes nos bioestimulantes fortalecem processos fisiológicos das plantas, permitindo respostas mais eficientes diante de períodos de seca, calor excessivo ou outras adversidades ambientais.
Na prática, o resultado aparece em plantas mais resistentes e capazes de manter o desenvolvimento mesmo em condições desfavoráveis, reduzindo perdas de produtividade e preservando a qualidade dos frutos.
“Quando conseguimos ajudar a planta a lidar melhor com o estresse, ela mantém o desenvolvimento e isso se reflete diretamente em produtividade e qualidade”, destaca o especialista.
O uso dessas tecnologias também vem sendo visto como estratégico para culturas voltadas à exportação, onde fatores como tamanho, aparência e qualidade dos frutos são determinantes para competitividade no mercado internacional.
Com a tendência de eventos climáticos cada vez mais intensos, soluções voltadas à resiliência agrícola devem ganhar protagonismo no setor nos próximos anos.

