Redação Plenax – Flavia Andrade
O avanço do uso de canetas emagrecedoras no Brasil já começa a provocar impactos diretos na economia e transformar o comportamento de consumo da população. Pesquisa inédita da Reds Research aponta que os medicamentos podem redistribuir cerca de R$ 56,9 bilhões por ano entre diferentes setores da economia, alterando prioridades de gastos e hábitos cotidianos.
O levantamento, realizado com mil usuários em todo o país, mostra que o impacto vai além da perda de peso e provoca mudanças estruturais no estilo de vida, influenciando áreas como alimentação, saúde, beleza e moda.
O setor alimentício aparece como o mais afetado negativamente. Segundo o estudo, os gastos com alimentação caem, em média, 12% após o início do tratamento. A maior retração foi registrada na cesta básica, com queda de 22,7% no consumo.
A pesquisa também identificou redução nos gastos com restaurantes (-9,9%), delivery (-3,4%) e bebidas (-3,9%), reflexo da diminuição do apetite e da mudança nos hábitos alimentares dos usuários.
Enquanto alguns segmentos perdem espaço, o mercado de beleza e bem-estar vive movimento oposto. Os gastos nessa área cresceram quase 18% entre os usuários das canetas emagrecedoras.
Segundo a CEO da Reds Research, Karina Milaré, o emagrecimento acaba estimulando uma nova relação dos consumidores com autoestima e autocuidado.
“O emagrecimento acaba ativando um ciclo de autoestima que transforma a maneira como as pessoas se enxergam e se cuidam. Isso se reflete diretamente no consumo, com um aumento consistente na busca por bem-estar, estética e autocuidado”, afirmou.
O estudo também aponta mudanças importantes no setor de saúde. Usuários passaram a procurar com maior frequência endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos, além de aumentar o consumo de suplementos alimentares.
Já no setor de moda, a pesquisa identificou retração de aproximadamente 7% nos gastos gerais, embora o processo de emagrecimento tenha impulsionado a renovação gradual do guarda-roupa, especialmente na compra de roupas esportivas e peças casuais.
Outro dado que chama atenção é o crescimento acelerado do uso dos medicamentos no país. Segundo o levantamento, cerca de 30% da população adulta das áreas metropolitanas com acesso à internet já utilizou ou utiliza canetas emagrecedoras — o equivalente a aproximadamente 15,4 milhões de brasileiros.
O perfil predominante dos usuários é formado por mulheres entre 25 e 59 anos, com maior concentração nas regiões Sudeste e Nordeste.
A pesquisa também revelou que apenas 30% dos usuários fazem uso dos medicamentos com prescrição médica, indicando crescimento expressivo do uso off-label no Brasil.
Para os pesquisadores, a tendência aponta para uma mudança profunda nos padrões de consumo, com parte do dinheiro antes destinado à alimentação sendo redirecionado para saúde, estética, bem-estar e qualidade de vida.

