Redação Plenax – Flavia Andrade
Medo de câncer, ganho de peso e riscos à saúde ainda afastam mulheres da terapia hormonal, apesar dos avanços da medicina
A reposição hormonal continua cercada de dúvidas e desinformação entre mulheres que enfrentam os sintomas da menopausa e do climatério. Ondas de calor, alterações de humor, insônia, ressecamento íntimo e queda na qualidade de vida estão entre as principais queixas que levam pacientes a procurar ajuda médica. Ainda assim, o receio sobre possíveis riscos do tratamento faz com que muitas mulheres deixem de buscar acompanhamento especializado.
Segundo a médica ginecologista Bruna Paschoalim, especialista em estética íntima feminina, boa parte desse medo está ligada à interpretação equivocada de estudos antigos sobre terapia hormonal.
“O principal mito que ainda aparece no consultório é a associação automática entre reposição hormonal e câncer. Hoje, a medicina já revisitou muita coisa e entende melhor quais mulheres podem se beneficiar do tratamento e quais precisam de mais cautela”, explica.
Uma revisão divulgada pela The Menopause Society aponta que a terapia hormonal pode trazer benefícios importantes para mulheres com sintomas moderados ou intensos da menopausa, desde que haja indicação adequada e acompanhamento individualizado. O material destaca que fatores como idade, histórico clínico e momento de início do tratamento influenciam diretamente na segurança da terapia.
Outro ponto frequentemente citado pelas pacientes é o medo de ganhar peso. De acordo com a especialista, essa associação também costuma ocorrer de forma generalizada e sem avaliação individual.
Além disso, muitas mulheres acreditam que a reposição hormonal possui apenas finalidade estética ou sexual, o que, segundo Bruna, não corresponde à realidade clínica.
“Muitas pacientes acham que a reposição hormonal serve apenas para aumentar o desejo sexual ou melhorar a estética corporal, quando na verdade ela pode ter impacto importante na qualidade de vida, no sono, no humor e até na disposição”, afirma.
Tratamento varia de acordo com cada paciente
Especialistas reforçam que a terapia hormonal não funciona da mesma forma para todas as mulheres. Existem diferentes tipos de hormônios, doses, formas de administração e estratégias terapêuticas, que são definidas conforme sintomas, exames, idade e histórico familiar.
A avaliação médica individualizada é considerada fundamental para determinar benefícios, contraindicações e possíveis riscos.
A discussão sobre menopausa e reposição hormonal também vem mudando nos últimos anos com a atualização de estudos científicos e diretrizes internacionais. Mesmo assim, o tema ainda enfrenta barreiras relacionadas à desinformação e ao medo construído ao longo de décadas.
Para especialistas, a menopausa não deve ser encarada apenas como uma fase inevitável de sofrimento silencioso. O acompanhamento médico adequado e o acesso à informação baseada em evidências seguem sendo os principais caminhos para decisões mais seguras sobre a saúde feminina.

