*Por Alexandra Olivares, conselheira de administração, docente e especialista em neurociência aplicada à tomada de decisões.
Pense apenas por alguns segundos. Convido você ao resgate de alguma emoção prazerosa recente, uma vivência que você lembra de forma plena e que desencadeia uma percepção de autoeficácia. Talvez seja a descoberta de uma gravidez muito desejada, a remissão de um câncer, um reconhecimento ou promoção no trabalho ou uma resposta favorável ao início de um novo projeto.
Os acontecimentos, voluntários ou involuntários, alteram nosso estado emocional, podendo, ou não, aumentar o bem-estar e engajamento. Em caso positivo, não se dá só por serem situações de nosso agrado, mas também porque contemplam motivações individuais, desejos e pulsões pessoais. No entanto, acabamos não nos atentando o suficiente naquilo que está acontecendo em nosso íntimo, seja pela falta de costume ou até a aceitação social. Porém, na sociedade pós-moderna isto pode e deve mudar.
Sentir é uma habilidade natural e transformadora para os seres humanos. Nossa biologia, ao longo de séculos de evolução do cérebro e da mente humana, possibilitou emoções, como amor, alegria, contentamento, encanto, orgulho, gratidão e felicidade. Porém, tal potencial, em maioria, ainda é pouco aproveitado no universo das organizações.
Conquistas cotidianas, como um dia produtivo e de trocas significativas nas interações sociais, podem alterar nossa química interna e contagiar emocionalmente nossas relações. Como seres humanos, experimentamos sensações quando nos geram prazer e recompensa. Então, após um ou vários estímulos percebidos como positivos, experimentamos uma série de descargas e mudanças físicas e químicas, que resultam na transmissão de informações ultrarrápidas no Sistema Nervoso.
Os neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, são produzidos na sinapse e atuam na “junção” dos neurônios. Além dessas substâncias, o corpo humano, através de outros sistemas, como o endócrino, de forma hábil e abrangente, reparte hormônios, como a ocitocina, em nossa corrente sanguínea. Essa junção é o que nos permite aquele sentimento agradável no corpo logo após um abraço apertado, por exemplo.
Ganhar “musculatura” para identificar nossos sentimentos é o primeiro passo para uma saúde emocional e relacional. Acontece que, justamente no acúmulo cotidiano de experiências desagradáveis ou de heranças emocionais perturbadoras, olhamos para o mundo como um lugar ameaçador e deixamos de perceber nossas realizações e potência.
Por isso, sempre que estiver sentindo emoções confortáveis, recomendo-lhe uma pausa para nomeá-las e apreciar o momento, algo vital para sustentar a própria produtividade, melhorando a qualidade de qualquer entrega.
Então sinta orgulho, celebre as conquistas, revisite fotos, cartões ou e-mails prazerosos, especialmente diante de dificuldades, inseguranças ou novos desafios, que, embora sonhados, pareçam ameaçadores. Você já passou por muitas situações e conquistou o direito de continuar crescendo e fazendo a diferença.
Perceber os aspectos positivos de viver, de forma intencional, impacta nossa saúde, e vai além da questão psicológica. Portanto, é importante que diariamente nos reconheçamos de forma explícita pelo que nos sentimos gratos, alcançando um lugar mental de consciência e potência executiva que gere recompensa ao cérebro.
Sobre Alexandra
Alexandra é Conselheira de Administração, docente e especialista em neurociência aplicada à tomada de decisões. Com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de lideranças e transformação organizacional, é formada em Ciências Contábeis e Finanças pela UCAB (Venezuela), mestre em Administração de Empresas pela ESADE (Espanha), especialista em Neurociência Aplicada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e tem Pós-MBA em Desenvolvimento Avançado para Conselheiras de Administração pela Saint Paul e certificação pela Columbia Business School. Atua como coach executiva, consultora e facilitadora, desenvolvendo soluções voltadas à maturidade emocional, tomada de decisão, cultura organizacional e desenvolvimento de lideranças.

