Redação Plenax – Flavia Andrade
O Comitê de Política Monetária anuncia nesta quarta-feira (29) a nova taxa básica de juros da economia brasileira, a Taxa Selic, em um cenário marcado por pressão inflacionária e incertezas externas provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Apesar da alta recente nos combustíveis e dos sinais de aceleração da inflação, analistas do mercado financeiro projetam uma segunda redução consecutiva dos juros.
Mercado espera corte para 14,5% ao ano
Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic permaneceu em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, no maior patamar em quase duas décadas.
Segundo estimativas do boletim Focus, a expectativa predominante é de corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano.
A decisão será divulgada no início da noite.
Guerra pressiona combustíveis e aumenta cautela
O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo, o que impacta diretamente combustíveis e fretes no Brasil.
Na ata da reunião anterior, o Copom indicou que futuras decisões dependerão da evolução do cenário econômico, sem antecipar se o ciclo de cortes continuará. O Banco Central afirmou que a magnitude dos próximos movimentos será definida conforme novos dados forem incorporados às análises.
Inflação volta a acelerar
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, subiu 0,89% em abril, puxada principalmente por combustíveis e alimentos.
No acumulado de 12 meses, o índice avançou para 4,37%, acima dos 3,9% registrados em março.
Já a projeção do mercado para a inflação de 2026 subiu para 4,86%, acima do teto da meta oficial.
Meta contínua está em vigor
Desde janeiro de 2025, o Brasil opera no modelo de meta contínua de inflação. O centro da meta fixado pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Agora, a inflação é acompanhada mês a mês, considerando sempre o acumulado de 12 meses, e não apenas o índice fechado de dezembro.
O que muda com a Selic
A Selic influencia juros cobrados em empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e rendimento de investimentos.
- Juros mais altos: tendem a conter consumo e frear inflação.
- Juros menores: facilitam crédito, estimulam consumo e atividade econômica.
Reunião tem desfalques no BC
A reunião ocorre com cadeiras vagas na diretoria do Banco Central do Brasil, após o fim dos mandatos de Renato Gomes e Paulo Pichetti no ano passado.
Além disso, o diretor Rodrigo Teixeira se ausentou por motivo familiar, segundo informou a instituição.
Decisão será acompanhada pelo mercado
A definição do Copom será observada de perto por investidores, empresários e consumidores, já que os juros impactam diretamente crédito, crescimento econômico, inflação e custo de vida no país.

