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Mulheres ocupam 36,7% dos empregos em grandes empresas de MS e recebem 26,1% menos que homens

Foto: Getty Images

Redação Plenax – Flavia Andrade

Mato Grosso do Sul registrava, em dezembro de 2025, 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 226,1 mil vínculos formais de trabalho. Desse total, 83 mil postos eram ocupados por mulheres, o equivalente a 36,7% das vagas, segundo dados divulgados no Painel do Relatório de Transparência Salarial, apresentado nesta segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.

Entre as trabalhadoras empregadas nessas empresas no estado, 50 mil eram mulheres negras, representando 60,2% do total feminino, enquanto 32,9 mil eram mulheres não negras (39,6%). Já entre os homens, havia 143,1 mil vínculos, sendo 95,1 mil ocupados por homens negros (66,4%) e 48 mil por não negros (33,5%).

Diferença salarial persiste

O levantamento também evidencia a desigualdade de renda entre homens e mulheres no mercado formal sul-mato-grossense. A remuneração média feminina nas grandes empresas foi de R$ 3.065,70, enquanto os homens receberam, em média, R$ 4.151,02 — uma diferença de 26,1%.

Quando analisado o recorte racial, os números mostram disparidades ainda maiores:

  • Mulheres negras: R$ 2.658,43
  • Mulheres não negras: R$ 3.706,03
  • Homens negros: R$ 3.701,36
  • Homens não negros: R$ 5.067,47

Cenário nacional

No Brasil, as mulheres receberam, em média, 21,3% menos que os homens em empresas com 100 ou mais empregados em 2025. Em 2023, essa diferença era de 20,7%, indicando aumento da desigualdade no período.

O relatório também aponta que, no momento da contratação, o salário inicial das mulheres ficou 14,3% abaixo do pago aos homens.

Cresce presença feminina no mercado

Apesar da disparidade salarial, o estudo destaca o avanço da participação feminina no emprego formal. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres pretas e pardas contratadas em grandes empresas cresceu 29% no país, saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos.

No total geral, o número de mulheres empregadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões no período, crescimento de 11%.

Liderança e políticas afirmativas

Outro dado relevante é o aumento da presença feminina em cargos de chefia e direção. O número de empresas com mulheres em posições gerenciais suficientes para medir paridade salarial cresceu 12%, chegando a 13,7 mil estabelecimentos no país.

Também houve avanço em políticas corporativas de inclusão, como programas de promoção profissional feminina, apoio à parentalidade e contratação de mulheres vítimas de violência.

Impacto econômico da igualdade salarial

Segundo o relatório, para que a massa salarial das mulheres correspondesse à sua participação no emprego formal brasileiro, seria necessário elevar em R$ 95,5 bilhões por ano a remuneração feminina.

A equiparação salarial, de acordo com o estudo, ampliaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país, fortalecendo consumo, crescimento econômico e distribuição de renda.

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