Redação Plenax
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o início da vigência do Acordo Mercosul-União Europeia ocorrerá sem dificuldades. A declaração foi feita nesta sexta-feira (24), durante participação no programa Bom Dia, Ministro.
Segundo o ministro, o acordo começa a valer de forma provisória a partir de 1º de maio, após décadas de negociações. Ele destacou que a implementação deve ocorrer de maneira gradual, com consolidação ao longo do tempo.
Considerado um marco nas relações comerciais internacionais, o tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões. A expectativa é que mais de 5 mil produtos passem a ser comercializados com tarifa zero entre os blocos, incluindo itens do agronegócio, como carnes, milho e biodiesel.
De acordo com Márcio Elias Rosa, a redução de tarifas tende a impactar os preços de forma progressiva. “A diminuição dos custos virá com o tempo, impulsionada pela redução de impostos e pelo aumento da escala de produção e comercialização”, explicou.
Salvaguardas para proteger a indústria
O ministro também ressaltou a existência de mecanismos de proteção para a indústria nacional. O acordo prevê cláusulas de salvaguarda que permitem ao Brasil suspender ou retardar a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que possa prejudicar setores produtivos.
A internalização do tratado no país foi concluída após a promulgação pelo Congresso Nacional e regulamentação por decreto do governo federal.
Relação com os Estados Unidos
Durante a entrevista, o ministro abordou ainda a postura do Brasil diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, o país adotou uma estratégia de diálogo e defesa da soberania nacional, sem abrir mão de contrapartidas nas negociações.
O cenário atual, segundo o ministro, mostra redução parcial das sobretaxas. Hoje, cerca de 46% das exportações brasileiras para os EUA estão livres de tarifas adicionais. Outros 25% enfrentam alíquota de 10%, enquanto aproximadamente 29% ainda estão sujeitos a tarifas mais elevadas, que podem chegar a 50% — muitas delas aplicadas de forma global, não apenas ao Brasil.
A entrevista reforça a expectativa do governo de ampliar o comércio internacional e fortalecer a economia brasileira em meio a desafios geopolíticos e comerciais.

