Redação Plenax
Uma das doenças mais letais da medicina felina começa a ter um novo cenário no país. O uso do antiviral Molnupiravir, agora disponível por manipulação veterinária no Brasil, tem apresentado taxas de resposta clínica entre 80% e 90% no tratamento da Peritonite Infecciosa Felina, segundo estudos recentes.
A terapia surge como alternativa mais acessível ao GS-441524, até então referência no tratamento, mas com limitações de importação e alto custo. “Hoje, falar em remissão em grande parte dos casos muda completamente a perspectiva para médicos-veterinários e tutores”, afirma a veterinária Farah de Andrade, consultora técnica da DrogaVET.
Um estudo publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine apontou que 14 de 18 gatos tratados com molnupiravir atingiram remissão estável, com melhora clínica já nos primeiros dias. Apesar do número reduzido de casos, os resultados são considerados promissores e representam um marco para a área.
Doença grave e de diagnóstico desafiador
A PIF é causada por uma mutação do coronavírus felino entérico (FCoV), comum em ambientes com múltiplos gatos. Em uma parcela dos casos, o vírus sofre mutação e desencadeia uma resposta inflamatória intensa, levando a quadros graves.
A doença pode se manifestar de duas formas: a efusiva (úmida), com acúmulo de líquido no abdômen ou tórax, e a não efusiva (seca), que pode atingir órgãos como fígado, rins e sistema nervoso. Os sintomas incluem febre persistente, perda de peso, dificuldade respiratória e alterações neurológicas.
O diagnóstico ainda é complexo e envolve avaliação clínica, exames laboratoriais e, em alguns casos, testes mais específicos como RT-PCR.
Tratamento prolongado e personalizado
O molnupiravir atua impedindo a replicação viral, permitindo que o sistema imunológico retome o controle da infecção. O tratamento costuma durar cerca de 84 dias e deve ser acompanhado de perto por um médico-veterinário.
Um dos diferenciais no Brasil é a possibilidade de manipulação do medicamento em diferentes formatos, como pastas, suspensões e até biscoitos, facilitando a administração — fator importante, especialmente em gatos.
Novo horizonte na medicina veterinária
Especialistas destacam que, embora a PIF continue sendo uma doença grave, a chegada do molnupiravir representa uma mudança significativa no prognóstico. Além disso, o antiviral também vem sendo estudado para outras condições, como a gengivoestomatite crônica felina.
Para veterinários e tutores, o avanço abre caminho para tratamentos mais eficazes e acessíveis, trazendo uma perspectiva inédita para uma enfermidade historicamente associada a alta mortalidade.

