Redação Plenax – Flavia Andrade
O Governo do Brasil oficializou o reajuste dos valores de referência do programa Gás do Povo como parte de um pacote de medidas voltadas a reduzir os impactos da instabilidade no mercado global de energia, especialmente diante do conflito no Oriente Médio.
A atualização foi formalizada por meio de portaria conjunta do Ministério de Minas e Energia e do Ministério da Fazenda, com publicação no Diário Oficial da União.
Correção de distorções e ampliação da rede
O reajuste busca corrigir defasagens identificadas em diferentes estados, onde os valores praticados no programa estavam abaixo dos preços de mercado, dificultando a adesão de revendedores. A medida deve ampliar a participação de distribuidoras e fortalecer a rede de atendimento.
Atualmente, o programa atende cerca de 15 milhões de famílias em todo o país — o equivalente a aproximadamente 50 milhões de pessoas — garantindo a recarga gratuita do botijão de 13 kg para inscritos no Cadastro Único com renda per capita de até meio salário-mínimo.
Impacto financeiro e oferta de gás
A expectativa do governo é que a medida represente um impacto de R$ 300 milhões, com aumento da oferta de gás liquefeito de petróleo (GLP), especialmente em regiões com menor cobertura.
Além do reajuste, foi criada uma subvenção inédita para o gás de cozinha, com pagamento de R$ 850 por tonelada de GLP importado. A iniciativa conta com dotação de R$ 330 milhões e tem como objetivo equalizar os preços entre o produto importado e o nacional.
Na prática, o subsídio pode representar cerca de 30% do valor do produto na saída das refinarias, ajudando a conter repasses ao consumidor final e garantindo maior previsibilidade diante da volatilidade externa.
Proteção social em cenário de pressão global
Com as medidas, o governo busca preservar o acesso ao gás de cozinha — considerado item essencial — e mitigar os efeitos das oscilações internacionais sobre o custo de vida da população, sobretudo entre as famílias de baixa renda.

