Redação Plenax
O Brasil caminha para mais uma safra robusta de café, mantendo a liderança global na produção e exportação do grão. As projeções para o ciclo 2026/27 são positivas e indicam um cenário de alta produtividade, impulsionado pela expansão de áreas, condições climáticas favoráveis e avanço tecnológico no campo.
Levantamento da Safras & Mercado estima que a produção pode atingir 75,65 milhões de sacas de 60 quilos, o que configuraria um novo recorde. Já a Companhia Nacional de Abastecimento projeta 66,2 milhões de sacas — crescimento de 17% em relação à safra anterior.
Com a colheita já iniciada em algumas regiões e ganhando intensidade entre maio e junho, especialistas destacam que este é o momento decisivo para consolidar os resultados das estratégias adotadas ao longo do ciclo produtivo.
Manejo define produtividade e qualidade
De acordo com o engenheiro agrônomo João Silvatti, gerente de Marketing Regional da IHARA, o controle eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas é um dos pilares para sustentar altos níveis produtivos.
“O monitoramento climático aliado às boas práticas agrícolas e ao uso de tecnologias adequadas é fundamental para garantir a formação de frutos de qualidade e uma safra bem-sucedida”, afirma.
Em um cenário de maior volatilidade nos preços, o manejo eficiente também impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo decisões estratégicas ao longo de todas as fases da cultura.
Bienalidade exige planejamento
A produção de café segue o ciclo conhecido como bienalidade, alternando anos de alta e baixa produtividade. Após um período de safra cheia, as plantas entram em fase de recuperação fisiológica, o que pode reduzir a produção no ciclo seguinte.
Esse comportamento reforça a necessidade de planejamento técnico para minimizar os efeitos da bienalidade negativa e manter a estabilidade produtiva das lavouras.
Pragas e doenças no radar
Entre os principais desafios fitossanitários está o bicho-mineiro, que pode causar perdas superiores a 50% em casos severos. Já a broca-do-café pode reduzir o peso dos grãos em até 20%, afetando diretamente a qualidade e o valor comercial.
Doenças como a ferrugem-do-cafeeiro continuam sendo uma das principais ameaças, comprometendo a fotossíntese e o desenvolvimento dos frutos. A mancha-de-phoma também preocupa produtores, especialmente em regiões de maior altitude, com impacto durante a florada.
Além disso, o controle de plantas daninhas segue essencial, já que essas espécies competem por recursos como água, luz e nutrientes, fundamentais para o desenvolvimento do cafeeiro.
Tecnologia como aliada no campo
Para enfrentar esses desafios, a adoção de tecnologias voltadas ao manejo integrado tem ganhado protagonismo. Soluções que combinam controle de pragas, doenças e plantas invasoras contribuem para maior uniformidade da produção e qualidade dos grãos.
“O controle eficiente é indispensável para evitar perdas, e as tecnologias são aliadas estratégicas nesse processo, garantindo produtividade e sustentabilidade ao sistema produtivo”, reforça Silvatti.
Com perspectivas positivas para a safra 2026/27, o setor cafeeiro segue atento às decisões de manejo, que serão determinantes para transformar o potencial produtivo em resultado efetivo no campo e manter a competitividade do Brasil no mercado global.

