Redação Plenax
Colocar o bebê para dormir de barriga para cima continua sendo a principal recomendação de sono seguro nos primeiros meses de vida. A orientação, reforçada pela Academia Americana de Pediatria, é considerada fundamental para reduzir o risco de morte súbita infantil. No entanto, especialistas alertam para a necessidade do desenvolvimento do crânio, já que a permanência frequente na mesma posição pode favorecer a chamada plagiocefalia posicional.
O quadro, caracterizado pelo achatamento assimétrico da cabeça, tem sido amplamente discutido na literatura científica. Um dos estudos mais relevantes, publicado na revista Pediatrics, avaliou 440 bebês saudáveis entre a sétima e a décima segunda semana de vida e apontou que 46,6% apresentavam algum grau de alteração no formato craniano.
De acordo com o fisioterapeuta pediátrico Ícaro Ramalho, a recomendação de manter o bebê de barriga para cima não deve ser questionada, mas complementada com acompanhamento adequado. “Essa orientação salva vidas e precisa ser mantida. O que também deve entrar em pauta é o monitoramento do formato do crânio e da mobilidade cervical nas primeiras semanas”, explica.
A plagiocefalia posicional ocorre quando o bebê mantém a cabeça apoiada repetidamente na mesma região, seja no berço, carrinho ou bebê-conforto. Como os ossos cranianos ainda são maleáveis, a pressão constante pode provocar deformações.
Outro fator frequentemente associado é o torcicolo muscular congênito, condição que limita a mobilidade do pescoço. Segundo estudos revisados na Pediatrics in Review, essa limitação faz com que o bebê prefira manter a cabeça sempre para o mesmo lado, intensificando a assimetria.
“Sempre que há restrição de movimento, o bebê tende a evitar virar a cabeça por desconforto, concentrando a pressão em um único ponto. Na maioria dos casos, a plagiocefalia está ligada a esse torcicolo”, destaca o especialista.
Entre os principais sinais de alerta estão a preferência persistente por um lado, achatamento visível da cabeça, assimetria facial e dificuldade de acompanhar estímulos visuais de ambos os lados. Diante desses indícios, a recomendação é buscar avaliação com um fisioterapeuta pediátrico.
Apesar do alerta, a orientação de sono seguro permanece inalterada: o bebê deve dormir de barriga para cima. Como complemento, especialistas indicam variar os estímulos laterais durante os períodos em que a criança está acordada e incluir momentos de permanência de bruços sempre com supervisão, prática que auxilia no desenvolvimento motor e na prevenção de assimetrias.

