Redação Plenax
Campo Grande recebe, nesta sexta-feira (17) e sábado (18), a segunda edição da Pretou – Mostra de Artes Pretas, que amplia a programação e reforça o protagonismo da produção artística negra em Mato Grosso do Sul. Com entrada gratuita e atividades acessíveis em Libras, o evento acontece no Teatro do Mundo, na região central.
Após a estreia em 2024, a mostra retorna mais robusta, reunindo artistas de diferentes linguagens em uma proposta que vai além da apresentação cultural e se consolida como espaço de diálogo, visibilidade e afirmação identitária.
Idealizador do projeto, Fábio Castro destaca que a iniciativa nasce da necessidade de criar espaços de protagonismo. Segundo ele, a mostra busca romper com narrativas que historicamente marginalizam a produção negra e fortalecer a presença desses artistas no cenário local.
Com uma programação diversa, o evento reúne música, teatro, dança, audiovisual, literatura, gastronomia e artes visuais. A abertura, nesta sexta-feira, fica por conta da DJ Lady Afro, que leva ao público sets que transitam entre afrobeat, funk, hip hop e dancehall, em uma performance marcada por identidade e representatividade.
Na área da gastronomia, a pesquisadora Hilbaty Rodrigues conduz a oficina “Mato não! Comida”, propondo uma reflexão sobre alimentação e cultura a partir das PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), com abordagem prática e sensorial.
Já no sábado, o destaque nas artes cênicas é a palestra “Dramaturgias Negras”, ministrada pelo ator e pesquisador Marcelo de Jesus, que aborda o teatro como ferramenta de expressão, memória e transformação social.
A programação inclui ainda exibição de cinema negro com debate, rodas de conversa, slam de poesia, performances e shows musicais, como as apresentações do grupo Afrofino e da artista SoulRa, que encerra o evento no sábado.
Ao longo dos dois dias, a mostra também promove feira criativa com empreendedores negros e exposição de artes visuais, reforçando a proposta de integração entre cultura, economia criativa e identidade.
Viabilizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a Pretou se consolida como um espaço de encontro e reconhecimento, onde a arte negra é apresentada por quem a vive, ampliando o debate sobre representatividade e pertencimento na Capital.

