Redação Plenax
Cuidar de um familiar tem exigido uma jornada extensa e, muitas vezes, exaustiva para milhares de brasileiros. Levantamento da HSR Health revela que 46% dos cuidadores no país dedicam nove horas ou mais por dia a essa função.
A pesquisa ouviu 100 cuidadores não profissionais em diferentes regiões do Brasil e mostra que o cuidado doméstico, em grande parte, recai sobre familiares — especialmente mulheres. Do total de entrevistados, 69% são do sexo feminino e 72% cuidam de pessoas com 60 anos ou mais. Além disso, 93% estão em idade produtiva, entre 35 e 54 anos, e 97% prestam assistência a parentes próximos.
O estudo aponta ainda que o cuidado raramente é uma atividade isolada. A maioria dos cuidadores precisa conciliar essa função com o trabalho: 67% afirmam exercer outra atividade profissional. Como consequência, o tempo para si torna-se escasso — 32% dizem não conseguir dedicar nenhum momento ao autocuidado.
Os relatos reforçam o impacto da rotina intensa. Participantes descrevem dias que começam e terminam com tarefas de cuidado, muitas vezes sem pausas, o que limita a vida pessoal e aumenta a sobrecarga emocional.
Para especialistas, o cenário reflete uma transformação social em curso no país, marcada pelo envelhecimento da população e pela centralização do cuidado no ambiente doméstico. Segundo Lucas Pestalozzi, da HSR Specialist Researchers, o cuidado deixou de ser apenas uma questão de saúde e passou a ocupar um papel estrutural na organização da vida social.
O levantamento também chama atenção para a falta de suporte: 88% dos cuidadores relatam não ter apoio emocional, o que eleva o risco de exaustão física e mental.
Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de ampliar o debate público sobre políticas de apoio, redes de assistência e alternativas que possam reduzir a sobrecarga enfrentada por quem cuida.

