Redação Plenax
O excesso de informações sobre alimentação nas redes sociais, muitas delas sem qualquer base científica, tem preocupado profissionais de saúde e levantado um alerta neste 31 de março, data em que é celebrado o Dia da Saúde e Nutrição. Especialistas apontam que o problema atual já não é mais a falta de informação, mas o grande volume de desinformação disponível na internet.
Dietas extremamente restritivas, promessas de emagrecimento rápido e orientações sem acompanhamento profissional fazem parte do que especialistas têm chamado de “terrorismo nutricional”, prática que associa alimentos a culpa, medo e restrições severas, sem considerar a individualidade biológica de cada pessoa.
Entre as dietas que mais preocupam os profissionais estão modelos alimentares muito restritivos, como a dieta carnívora — que exclui fibras e vegetais — e jejuns intermitentes prolongados, com períodos superiores a 24 horas sem alimentação. Segundo especialistas, essas práticas podem trazer prejuízos metabólicos, hormonais e psicológicos quando realizadas sem acompanhamento profissional.
Danos físicos e mentais
De acordo com a nutricionista Ana Paula Perillo, os impactos dessas dietas podem não aparecer imediatamente, mas funcionam como uma espécie de “bomba-relógio” para o organismo.
Entre os principais problemas observados em consultórios estão queda de cabelo, unhas quebradiças, interrupção do ciclo menstrual, perda de massa muscular e sobrecarga renal. Além dos efeitos físicos, também há impactos psicológicos, como ansiedade, irritabilidade, compulsão alimentar e o chamado “efeito sanfona”.
Outro problema crescente é a ortorexia, transtorno alimentar caracterizado pela obsessão por comer apenas alimentos considerados “puros” ou “limpos”, o que pode levar a restrições alimentares severas e prejuízos nutricionais importantes.
Mitos alimentares ainda persistem
Apesar do avanço da informação, alguns mitos alimentares continuam populares nas redes sociais, principalmente aqueles ligados a emagrecimento rápido e “detox”.
Segundo especialistas, o chamado “suco detox”, por exemplo, não tem a capacidade de desintoxicar o organismo. Esse processo é realizado naturalmente pelo fígado e pelos rins. Já o consumo de limão em jejum, embora seja fonte de vitamina C, não tem efeito direto na queima de gordura.
Profissionais de saúde reforçam que emagrecimento saudável ocorre por meio de déficit calórico planejado, alimentação equilibrada, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento profissional — não por alimentos isolados ou dietas milagrosas.
Como identificar desinformação nutricional
Especialistas orientam que a população fique atenta ao conteúdo consumido nas redes sociais. Algumas recomendações incluem:
Desconfiar de promessas de emagrecimento muito rápido;
Verificar se o profissional possui registro no Conselho Regional de Nutrição (CRN);
Desconfiar de perfis que demonizam alimentos sem diagnóstico clínico;
Evitar dietas extremamente restritivas sem acompanhamento profissional;
Cuidado com perfis que focam mais na venda de produtos do que na orientação de saúde.
O alerta dos especialistas é claro: alimentação não deve ser guiada por algoritmos de redes sociais, mas por ciência, exames clínicos e acompanhamento profissional individualizado.

