Redação Plenax
A enfermeira e pesquisadora Adriana Moro lançou o romance Não me chame de Mãe, obra que aborda solidão, abandono e os impactos da maternidade na saúde mental feminina, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
Publicado pela Editora Urutau, o livro apresenta uma narrativa sensível e realista sobre a vida de uma mulher que enfrenta sozinha os desafios da maternidade durante a pandemia de Covid-19, sem renda, sem rede de apoio e com uma filha recém-diagnosticada dentro do espectro autista.
A obra busca desconstruir a visão romantizada da maternidade e trazer à tona temas como abandono parental, sobrecarga emocional, solidão e invisibilidade social enfrentada por muitas mães solo, especialmente aquelas que cuidam de crianças com deficiência ou neurodivergência.
Segundo a autora, a ideia do livro surgiu a partir da experiência profissional de mais de duas décadas atuando no Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhando mulheres que enfrentam sozinhas o cuidado integral dos filhos após o abandono do companheiro, situação que ela define como uma forma de “duplo abandono”: o abandono do outro e o abandono de si mesma.
O romance também traz uma reflexão sobre identidade feminina, papéis de gênero e a dificuldade de muitas mulheres em manter sua individualidade após a maternidade. A narrativa propõe uma discussão sobre saúde mental feminina, sobrecarga materna e a necessidade de apoio social e políticas públicas voltadas a essas mulheres.
Além de ficção, o livro dialoga com a realidade social brasileira. Dados do Instituto Baresi citados na obra indicam que entre 78% e 80% dos pais abandonam filhos com deficiência ou doenças raras antes dos cinco anos de idade, cenário que reforça a discussão proposta pelo romance.
Mais do que uma obra literária, Não me chame de Mãe se apresenta como uma narrativa social sobre maternidade, abandono, saúde mental e resistência feminina, propondo uma reflexão sobre a forma como a sociedade enxerga e apoia mulheres que enfrentam a maternidade em situação de vulnerabilidade e solidão.

