Redação Plenax
Ex-prefeito afirma que reagiu após suposta invasão de casa leiloada; fiscal tributário morreu no local
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal, alegou legítima defesa após matar a tiros o servidor público estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde de terça-feira (24), em uma residência localizada na Avenida Antônio Maria Coelho. Bernal foi preso em flagrante.
O imóvel onde ocorreu o crime pertencia ao ex-prefeito, mas havia sido leiloado após dívida de financiamento. A vítima foi até o local acompanhada de um chaveiro para tomar posse da casa, quando acabou sendo atingida por pelo menos dois disparos.
Segundo a defesa de Bernal, ele foi avisado pela empresa de segurança de que a residência estaria sendo invadida e, ao chegar ao local, encontrou a porta arrombada e teria sido ameaçado, reagindo com os disparos.
Depoimento e versão de Bernal
Em depoimento gravado na delegacia, Bernal afirmou que não teve intenção de matar e que os disparos seriam para atingir a perna da vítima.
De acordo com o ex-prefeito, ele já havia registrado outros arrombamentos no imóvel e, ao chegar ao local, encontrou pessoas dentro da residência. Ele afirmou que houve uma discussão e que se sentiu acuado.
Após os disparos, Bernal se apresentou à delegacia para relatar o ocorrido, afirmando que acreditava que a casa havia sido invadida.
Testemunha apresenta outra versão
O chaveiro que acompanhava o fiscal tributário relatou à polícia que Bernal chegou armado, apontou a arma para a vítima e atirou antes que ela pudesse explicar o motivo de estar no imóvel.
Segundo o depoimento, o ex-prefeito também teria mandado o chaveiro se deitar no chão e feito ameaças após os disparos. O profissional conseguiu sair do local e acionou a polícia.
Imagens preliminares anexadas à investigação mostram que Bernal chegou armado ao imóvel e houve uma discussão na garagem antes dos disparos. A vítima foi atingida no abdômen e nas costas e morreu no local, apesar do atendimento do Corpo de Bombeiros.
Casa foi leiloada por dívida e multa judicial
A residência havia sido leiloada após dívida de financiamento com a Caixa Econômica Federal. Além disso, o imóvel também era alvo de penhora judicial relacionada a uma condenação por irregularidades administrativas da época em que Bernal era prefeito.
Em 2022, ele foi condenado ao pagamento de multa civil de R$ 1 milhão, valor que posteriormente foi atualizado para cerca de R$ 1,9 milhão, o que resultou na penhora do imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 3,7 milhões, mas leiloado por R$ 2,4 milhões.
Vítima era fiscal tributário estadual
Roberto Carlos Mazzini era fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul e recebia salário superior a R$ 59 mil mensais, conforme dados do Portal da Transparência.
O caso é investigado pela Polícia Civil e a principal linha de apuração deve esclarecer se houve legítima defesa ou homicídio.

