Redação Plenax
Mais de 200 policiais militares de Mato Grosso do Sul participaram, em Campo Grande, de um curso de capacitação voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A formação, realizada ao longo de dois dias, reuniu especialistas reconhecidos nacionalmente no enfrentamento ao feminicídio e buscou aprimorar a atuação das equipes que lidam diretamente com esse tipo de ocorrência em todo o Estado.
A subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Neidy Centurião, destacou que o treinamento tem como foco qualificar o atendimento desde o primeiro contato com a vítima. Segundo ela, a capacitação envolve a identificação dos diferentes tipos de violência e o registro mais preciso das informações no boletim de ocorrência, garantindo maior clareza, isonomia e efetividade nos encaminhamentos.
Entre os destaques do seminário, a tenente-coronel Denice Santiago, idealizadora da Ronda Maria da Penha na Bahia, alertou para a gravidade do cenário nacional. De acordo com dados apresentados, cerca de 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica em 2025, enquanto quase quatro são vítimas de feminicídio diariamente. Para ela, medidas como ordens judiciais de proteção e uso de tornozeleiras eletrônicas, embora importantes, não são suficientes sem o fortalecimento das redes de acolhimento.
A integração entre instituições também foi apontada como essencial. A delegada Milena Suegama defendeu o compartilhamento de informações e a unificação de boletins de ocorrência entre os órgãos responsáveis pelo atendimento. Segundo ela, a atuação conjunta amplia a capacidade de prevenção e monitoramento dos casos.
Outro ponto debatido durante o evento foi o impacto das redes sociais na disseminação de discursos de ódio contra mulheres. A ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ressaltou a necessidade de regulamentação das plataformas digitais para coibir conteúdos misóginos e aumentar a responsabilização.
Dados recentes apresentados por Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam crescimento de quase 5% nos casos de feminicídio no país entre 2024 e 2025, totalizando 1.568 vítimas no último ano. Para a especialista, o atendimento humanizado e o acolhimento adequado são determinantes para mudar esse cenário.
Além de reforçar a atuação nas ruas, a capacitação também busca multiplicar conhecimento dentro da corporação, preparando policiais para atuarem como agentes formadores e disseminadores de boas práticas no enfrentamento à violência doméstica.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, com atendimento inicial da Polícia Militar. Os casos são encaminhados à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), responsável por dar continuidade ao suporte às vítimas. A corporação reforça que a violência contra a mulher vai além da agressão física, incluindo também abusos de ordem psicológica, moral, sexual e patrimonial.

