Redação Plenax
Especialista alerta para importância da imunização contra influenza e vírus respiratórios que afetam principalmente crianças, idosos e grupos de risco
Com a chegada do outono e a proximidade do inverno, as campanhas de vacinação contra vírus respiratórios ganham reforço no Brasil. A imunização contra a Gripe e o Vírus Sincicial Respiratório é considerada uma das principais estratégias para reduzir complicações, internações e mortes entre crianças, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade.
Segundo a pediatra e neonatologista Letícia Corrêa, o período entre abril e setembro costuma concentrar maior circulação de vírus respiratórios no país.
“Entre abril e setembro ocorre no Brasil o período de maior circulação desses vírus, o que costuma provocar aumento de atendimentos e internações hospitalares, principalmente entre bebês, crianças e idosos”, explica.
Vacinas chegam ao país com cepas atualizadas
As vacinas contra influenza distribuídas no Brasil a partir de março são atualizadas com base nas cepas identificadas durante o inverno no hemisfério norte, onde a circulação do vírus ocorre antes.
Na rede privada, o imunizante disponível é a vacina quadrivalente, que protege contra quatro cepas do vírus. Já no Sistema Único de Saúde, a vacina aplicada é trivalente, produzida pelo Instituto Butantan, com proteção contra três variantes da influenza.
A recomendação médica é que a vacinação seja realizada antes do período de maior circulação viral para garantir proteção adequada.
“As vacinas contra influenza utilizam vírus inativado, ou seja, não há risco de a pessoa desenvolver gripe após a aplicação. A imunização estimula o organismo a produzir anticorpos e preparar o sistema imunológico para reagir mais rapidamente em caso de contato com o vírus”, explica a médica.
Complicações respiratórias podem surgir após a gripe
Embora muitas pessoas associem a gripe apenas a sintomas temporários, como febre e mal-estar, a doença pode causar enfraquecimento do sistema imunológico e abrir espaço para complicações mais graves.
Entre os problemas que podem surgir estão:
Pneumonia
Otite
agravamento de doenças respiratórias preexistentes
“A gripe pode provocar debilidade física por sete a dez dias. Nesse período, o organismo fica mais vulnerável a infecções secundárias”, afirma a especialista.
A vacina contra influenza pode ser aplicada em crianças a partir de seis meses de idade e contribui para reduzir significativamente casos graves e hospitalizações.
Vírus sincicial preocupa principalmente em bebês
Outro agente respiratório que preocupa médicos é o VSR, vírus frequentemente associado à Bronquiolite.
A doença atinge principalmente crianças nos primeiros meses de vida e pode evoluir rapidamente.
“A bronquiolite começa como uma infecção viral comum, com sintomas como mal-estar, febre e coriza. Entre o terceiro e o quinto dia pode ocorrer piora, com aumento de secreção, tosse e dificuldade respiratória”, alerta a pediatra.
Em casos mais graves, pode ser necessário:
internação hospitalar
uso de oxigênio
tratamento em Unidade de Terapia Intensiva
Durante os meses de maior circulação viral, hospitais costumam registrar aumento significativo de atendimentos pediátricos por doenças respiratórias.
Vacinação protege toda a família
Além de crianças, especialistas recomendam a vacinação de adultos que convivem com bebês, como pais, avós, babás e cuidadores.
Pessoas com mais de 60 anos também devem manter a imunização em dia, já que infecções respiratórias podem desencadear processos inflamatórios e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como:
Infarto
Acidente Vascular Cerebral
“No caso dos idosos, vírus respiratórios podem desencadear eventos cardiovasculares graves. Por isso, a vacinação anual é considerada uma importante estratégia de proteção da saúde”, reforça a médica.
Segurança das vacinas
No Brasil, as vacinas passam por rigorosos processos de controle de qualidade e rastreabilidade. Cada dose aplicada é vinculada ao lote de produção e registrada no sistema nacional de imunização.
O monitoramento permite acompanhar eventuais reações adversas — consideradas raras — e garantir segurança durante toda a cadeia de armazenamento e distribuição.
Apesar disso, especialistas alertam que a adesão à vacinação contra gripe ainda é considerada baixa no país.
“A vacinação anual continua sendo uma das principais estratégias para reduzir hospitalizações e complicações associadas a infecções respiratórias sazonais”, conclui Letícia Corrêa.

