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Após morte de Eric Dane, Humap-UFMS alerta para sintomas e diagnóstico da ELA

Foto: Reprodução

Redação Plenax

Hospital universitário de Campo Grande reforça importância do diagnóstico precoce e do cuidado multiprofissional diante de doença rara e progressiva

A morte do ator norte-americano Eric Dane, na última quinta-feira (19), reacendeu o debate mundial sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva e ainda sem cura. Em Mato Grosso do Sul, o atendimento especializado é realizado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

No hospital, pacientes com ELA são acompanhados no Ambulatório de Doenças Neuromusculares, referência no atendimento especializado. Segundo o neurologista Thiago Dias Fernandes, responsável pelo serviço, a doença atinge diretamente os neurônios motores — células do cérebro e da medula espinhal responsáveis pelos movimentos voluntários.

“A Esclerose Lateral Amiotrófica compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários, levando à fraqueza progressiva e à atrofia muscular”, explica.

O que é a ELA e como a doença evolui

A ELA provoca degeneração progressiva dos neurônios motores. Como consequência, o paciente perde força muscular de forma gradual, impactando atividades simples como segurar objetos, caminhar, falar e engolir.

Embora o comprometimento seja predominantemente motor, parte dos pacientes pode apresentar alterações cognitivas e comportamentais.

A evolução é variável. Em geral, a doença progride ao longo do tempo, mas a velocidade difere entre os pacientes. A expectativa de vida média após o início dos sintomas varia entre dois e cinco anos, embora existam casos de evolução mais lenta.

Sintomas iniciais: atenção aos sinais discretos

Os primeiros sinais dependem da região do corpo afetada inicialmente. Entre os sintomas mais comuns estão:

Fraqueza progressiva em uma das mãos ou pés;

Dificuldade crescente para falar;

Alterações na deglutição;

Fasciculações (pequenas contrações musculares involuntárias).

De acordo com o especialista, a fraqueza persistente e progressiva, sem causa aparente, deve ser investigada.

“É importante notar sinais sutis, como perda de força progressiva em um braço ou perna, além de dificuldade crescente para falar ou engolir.”

Diagnóstico é clínico e exige exclusão de outras doenças

Um dos principais desafios da ELA é o diagnóstico. Não há exame único capaz de confirmar a doença.

A avaliação é clínica, baseada na história do paciente e no exame neurológico detalhado. Exames como eletroneuromiografia, ressonância magnética e testes laboratoriais são utilizados principalmente para descartar outras enfermidades com sintomas semelhantes.

Segundo o neurologista, a ausência de marcador laboratorial específico e a semelhança com doenças neurológicas mais comuns tornam o processo diagnóstico mais complexo.

Doença rara, mas que exige atenção

A ELA é considerada uma doença rara. Em países ocidentais, surgem de 0,7 a 2 novos casos por 100 mil habitantes ao ano. A faixa etária mais comum é entre 50 e 70 anos, mas pode ocorrer fora desse intervalo.

Cerca de 90% dos casos são esporádicos, sem histórico familiar. Apenas 10% têm caráter hereditário.

Tratamento: não há cura, mas há cuidado

Apesar de ainda não existir cura, há medicamentos que podem retardar discretamente a progressão da doença. O foco do tratamento é sintomático e multidisciplinar.

A equipe multiprofissional envolve:

Neurologista

Fisioterapeuta

Fonoaudiólogo

Nutricionista

Terapeuta ocupacional

Psicólogo

Outras especialidades conforme necessidade

Entre os principais cuidados estão a prevenção de complicações, controle da dor, suporte nutricional, adaptação alimentar, suporte ventilatório quando indicado e acompanhamento psicológico.

“O cuidado multiprofissional melhora o conforto, a autonomia e a qualidade de vida. O impacto emocional é significativo, por isso o suporte psicológico é essencial.”

Atendimento especializado em MS

No Humap-UFMS, o acompanhamento ocorre de forma ambulatorial, com consultas regulares para monitoramento da progressão da doença, ajustes terapêuticos e orientação contínua a pacientes e familiares.

O ambulatório atua de forma integrada com a rede municipal de saúde, garantindo acesso a serviços complementares conforme o município de residência do paciente.

Conscientização e informação

Para o neurologista, casos envolvendo figuras públicas ampliam o debate e ajudam a levar informação qualificada à população.

Campanhas internacionais e relatos de pessoas conhecidas têm contribuído para dar visibilidade à doença e fortalecer o apoio à pesquisa científica.

A orientação final do especialista é clara:

“Buscar informações confiáveis e manter diálogo direto com o médico é fundamental. Embora não exista cura, existe cuidado — e o paciente não está sozinho.”

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