Redação Plenax
Mato Grosso do Sul deu início à fase de testes de um projeto que une ressocialização, qualificação profissional e atendimento social. Fraldas geriátricas descartáveis passaram a ser confeccionadas com mão de obra prisional no âmbito do Projeto Desdobrar – Cuidado e Dignidade, implantado no Instituto Penal de Campo Grande.
As primeiras unidades produzidas foram entregues ao Sirpha Lar do Idoso e ao Hospital São Julião, que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade na Capital.
Produção inicial e fase experimental
Nesta etapa piloto, dez reeducandos atuam na oficina instalada dentro do IPCG e passaram por capacitação técnica oferecida pela equipe do Sirpha. Ao todo, foram confeccionadas 1.760 fraldas, distribuídas em 220 pacotes com oito unidades cada.
Todo o material tem caráter exclusivamente experimental. As fraldas serão avaliadas por um grupo de controle composto por idosos atendidos no próprio presídio e usuários das instituições beneficiadas.
A avaliação priorizará o uso noturno, período considerado mais adequado para mensurar eficiência em absorção e prevenção de vazamentos — fator determinante para evitar trocas frequentes de enxovais e sobrecarga na lavanderia das instituições.
Ressocialização e capacitação
O projeto é idealizado pelo juiz titular da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, e reúne esforços da Agepen, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e do Sirpha, com acompanhamento do município de Campo Grande.
Segundo o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, atualmente mais de 7 mil internos exercem atividades laborais no sistema prisional do Estado, enquanto outros 4 mil participam de cursos educacionais, da alfabetização à pós-graduação.
A proposta do Projeto Desdobrar é ampliar essas oportunidades, promovendo qualificação profissional, redução da ociosidade e possibilidade futura de remuneração aos internos, além de atender demandas sociais relevantes.
Impacto social e redução de custos
No Sirpha, a demanda por fraldas é elevada. A instituição atende 83 idosos e registra média de até quatro fraldas por pessoa ao dia, o que resulta em cerca de 240 unidades diárias.
Já no Hospital São Julião, o insumo representa um dos maiores custos da assistência hospitalar no SUS. A produção local pode contribuir para otimizar recursos e qualificar o atendimento.
Após o período de testes, será elaborado relatório técnico com base em questionários aplicados a usuários, pacientes e equipes profissionais. A ampliação da produção dependerá dos resultados obtidos, com foco em qualidade, segurança e conforto.
A iniciativa consolida um modelo de cooperação interinstitucional que combina política penitenciária, responsabilidade social e gestão pública orientada a resultados, reforçando a aplicação prática dos princípios da Lei de Execução Penal.

