Redação Plenax
Boletim Focus aponta sétima redução seguida para o IPCA; PIB deve crescer 1,82% e Selic pode começar a cair a partir de março
O mercado financeiro voltou a revisar para baixo a estimativa de inflação para 2026. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 3,95% para 3,91%.
É a sétima semana consecutiva de recuo nas expectativas, mantendo o índice dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para 2027, a previsão segue em 3,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado estima inflação de 3,5% em ambos os anos.
Luz e gasolina pressionaram janeiro
Mesmo com o cenário mais favorável nas projeções futuras, o início do ano foi marcado por pressão nos preços administrados. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a alta na conta de luz e na gasolina fez o IPCA de janeiro fechar em 0,33%, repetindo o percentual de dezembro.
Com isso, a inflação acumulada em 2025 chegou a 4,44%.
Selic segue em 15% e corte pode começar em março
Para conter a inflação, o principal instrumento do BC é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano — maior patamar desde julho de 2006.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa inalterada pela quinta vez consecutiva. No entanto, sinalizou em ata que poderá iniciar um ciclo de cortes na reunião de março, caso o cenário inflacionário continue estável.
As projeções do mercado indicam que a Selic pode encerrar 2026 em 12,13% ao ano — abaixo dos 12,25% estimados anteriormente. Para os anos seguintes, as expectativas são:
2027: 10,5% ao ano
2028: 10% ao ano
2029: 9,5% ao ano
A manutenção dos juros em nível elevado tem como objetivo conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços, ainda que isso limite o ritmo de crescimento da economia.
PIB deve crescer 1,82% em 2026
O mercado também revisou levemente para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,8% para 1,82%.
Para 2027, a projeção é de expansão de 1,8%. Já em 2028 e 2029, a expectativa é de crescimento de 2% ao ano.
No terceiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,1%, resultado considerado como estabilidade pelo IBGE. O dado consolidado do PIB de 2025 será divulgado no dia 3 de março.
Em 2024, a economia brasileira registrou crescimento de 3,4%, quarto ano consecutivo de alta e o melhor desempenho desde 2021.

