Redação Plenax
Em fórum com 230 empresas em Seul, presidente propõe ampliar exportações, atrair indústria de ponta e reforçar cooperação estratégica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (23), em Seul, que a relação entre Brasil e Coreia do Sul demonstra que “confiança e cooperação valem a pena”. A declaração foi feita durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, que reuniu autoridades e representantes de 230 empresas dos dois países.
O encontro teve como foco a ampliação de investimentos sul-coreanos no Brasil e a diversificação das relações comerciais, com destaque para setores como agronegócio, indústria farmacêutica, tecnologia, economia criativa, energia, açúcar e álcool.
Carne bovina no radar coreano
Um dos principais pontos defendidos por Lula foi a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira. O presidente destacou a competitividade do agronegócio nacional e citou a safra recorde de grãos registrada recentemente.
“O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira. Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, afirmou.
Segundo ele, a entrada no mercado também pode estimular investimentos de grandes frigoríficos brasileiros na Coreia do Sul.
Investimentos já consolidados
Lula destacou que o Brasil é, há anos, o principal destino de investimentos sul-coreanos na América Latina. Empresas como Samsung, Hyundai e LG já mantêm presença consolidada no país.
De acordo com o governo brasileiro, a Coreia do Sul é o quarto maior investidor asiático no Brasil, com estoque de aproximadamente US$ 9 bilhões, volume que pode crescer com novos acordos.
Diversificação e indústria de ponta
Em seu discurso, o presidente defendeu a necessidade de reduzir a dependência de exportações primárias e ampliar a agregação de valor na economia brasileira.
Ele mencionou programas como o PAC, a Nova Indústria Brasil (NIB), o MOVER e o Plano de Transformação Ecológica como instrumentos para atrair capital estrangeiro voltado à inovação e à sustentabilidade.
No campo da mineração, Lula ressaltou o potencial brasileiro em minerais críticos essenciais para semicondutores e baterias — áreas em que a Coreia do Sul é protagonista global. A proposta é estabelecer parcerias que permitam ao Brasil participar também das etapas industriais de maior valor agregado.
Cooperação em saúde e tecnologia
O presidente também destacou a possibilidade de cooperação na indústria farmacêutica, mencionando a atuação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o avanço brasileiro na construção do laboratório de biossegurança Órion.
A expectativa, segundo ele, é ampliar a produção conjunta de vacinas, medicamentos e insumos médicos.
No setor aeroespacial, Lula citou a parceria da empresa sul-coreana Innospace com o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e defendeu o aprofundamento do diálogo entre as agências espaciais dos dois países, inclusive para compartilhamento de dados de satélites e projetos de exploração lunar.
Referência ao modelo coreano
Ao comparar trajetórias econômicas, Lula destacou que, nos anos 1960, o PIB per capita da Coreia do Sul era inferior ao brasileiro e hoje supera em três vezes. Para ele, o desenvolvimento coreano demonstra a importância de políticas públicas robustas, investimento em educação e estratégia industrial de longo prazo.
“A resiliência de um país depende da diversificação de sua base econômica e de suas relações comerciais”, afirmou.
O fórum empresarial ocorre em meio a um cenário global de tensões comerciais e avanço do protecionismo, reforçando a estratégia brasileira de ampliar parcerias na Ásia e consolidar novos mercados para produtos e tecnologia nacional.

