Redação Plenax – Flavia Andrade
A renovação do microcrédito produtivo orientado (MPO) tem se consolidado como um dos principais motores de geração de renda e aumento da produtividade no campo. Coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com a Caixa Econômica Federal, a iniciativa vem impulsionando o planejamento e a expansão de pequenos empreendimentos familiares em áreas rurais das regiões Norte e Centro-Oeste.
Somente na primeira semana de janeiro, 1.084 novas famílias aderiram ao financiamento rural. Com isso, o programa já soma 27.356 contratos ativos nas duas regiões. Desde o lançamento, em dezembro de 2024, o MPO movimentou R$ 338,69 milhões, reforçando seu papel estratégico no fortalecimento da agricultura familiar, de comunidades tradicionais e de povos ribeirinhos.
Um dos diferenciais do microcrédito é o modelo de pagamento facilitado. Vinculado ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o MPO oferece bônus de adimplência para quem mantém as parcelas em dia, com descontos que variam de 25% a 40%, conforme a localidade e a atividade financiada. Na região Norte, o abatimento pode chegar a 40% do valor contratado, reduzindo de forma significativa o custo final do crédito e estimulando a renovação dos contratos.
O impacto é sentido diretamente na rotina dos produtores. Em Cametá, no Pará, o casal Lucicleide Pantoja Marques e Ednaldo Marques Costa utilizou o microcrédito para investir na produção e na logística da venda de alimentos. Moradores da Ilha de Tabatinga de Carapajó, às margens do Rio Tocantins, eles cultivam açaí, mandioca, cupuaçu e cacau, além de atuarem na pesca.
Com o financiamento, adquiriram um barco e um motor rabeta, o que reduziu drasticamente o tempo de deslocamento até o mercado da cidade. Antes, o trajeto levava mais de uma hora e comprometia as vendas; agora, é feito em cerca de 30 a 40 minutos. “Chegar mais cedo à feira melhorou bastante a comercialização dos nossos produtos”, relata Ednaldo.
O bônus de adimplência também foi decisivo. O casal contratou R$ 12 mil cada e quitou o financiamento por R$ 7.230. “Pagamos antes do prazo. O desconto fez muita diferença”, conta Lucicleide. Em 2026, mais confiantes, eles retornaram à agência de microfinanças credenciada para renovar o crédito, desta vez com valores maiores e novos investimentos planejados, como a compra de freezer e equipamentos de pesca.
Além do recurso financeiro, o MPO se destaca pelo acompanhamento técnico oferecido aos beneficiários. Segundo Vlademir Junior, coordenador de microfinanças da Cactvs no Pará, os produtores recebem orientação em educação financeira, ambiental e empresarial, o que permite estruturar projetos mais equilibrados e sustentáveis. “Muitas vezes, ajustamos o plano inicial do produtor para reduzir custos e aumentar a produtividade”, explica.
Na avaliação dos técnicos, os resultados vão além da produção. O microcrédito tem contribuído para reduzir vulnerabilidades sociais, inclusive com projetos voltados à implantação de energia solar em comunidades sem acesso à eletricidade. “É uma política pública que gera dignidade e transforma realidades em regiões onde o acesso a oportunidades sempre foi limitado”, conclui Vlademir.
Com adesão crescente e resultados concretos no campo, o microcrédito produtivo orientado começa 2026 consolidado como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento regional e o fortalecimento da agricultura familiar no Brasil.

