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Tecnologias biológicas freiam avanço da cigarrinha-do-milho e elevam a sanidade das lavouras

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

O avanço da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) segue como um dos principais desafios fitossanitários da cultura no Brasil, com impacto direto na produtividade. De acordo com a Embrapa, a presença de apenas dez insetos por planta já é suficiente para comprometer seriamente o rendimento das lavouras, em razão do enfezamento causado pelos patógenos transmitidos pela praga.

“O dano ocorre porque, ao sugar a seiva, a cigarrinha libera toxinas que impedem a absorção adequada de nutrientes pela planta”, explica a engenheira agrônoma Lauany Cavalcante, coordenadora de portfólio da Biotrop. Segundo ela, o risco é ainda maior porque o inseto pode transmitir a doença em qualquer fase do desenvolvimento do milho. “Um único inseto infectado é capaz de contaminar várias plantas, espalhando o problema por toda a área cultivada”, detalha.

O cenário se agrava com condições climáticas favoráveis à praga, especialmente na segunda safra, marcada por temperaturas elevadas e maior volume de chuvas. A ocorrência do fenômeno La Niña intensifica esse quadro, acelerando o ciclo de vida da cigarrinha, que passou de cerca de 22 para apenas 15 dias. Além disso, o uso repetitivo de defensivos químicos contribuiu para a seleção de populações resistentes a diversas moléculas.

Diante desse contexto, especialistas reforçam a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) como estratégia essencial. “A combinação de controle químico, biológico, varietal e cultural permite ao produtor explorar o melhor de cada tecnologia, com destaque para o amplo espectro de ação e a velocidade de resposta dos bioinsumos”, ressalta Lauany.

Controle biológico ganha espaço

Com múltiplos modos de ação e menor risco de resistência, as tecnologias biológicas vêm ganhando protagonismo no manejo da cigarrinha-do-milho. Diferentemente de produtos químicos tradicionais, os bioinsumos atuam por mecanismos diversos, como contato e ingestão, reduzindo a pressão seletiva sobre o inseto.

Entre as soluções disponíveis está o bioinseticida Biokato®, formulado a partir das bactérias Pseudomonas fluorescens e Pseudomonas chlororaphis, que integra o portfólio da Biotrop. O produto atua de duas formas: por contato, causando paralisia e morte do inseto após a contaminação tarsal, e por ingestão, quando os metabólitos bacterianos provocam um quadro de anemia ao competir pelo ferro no intestino da cigarrinha, levando o inseto à morte por inanição.

“Esse é um dos grandes diferenciais dos biológicos: a entrega de múltiplos modos de ação, que garante maior eficiência no controle do alvo e contribui para a sustentabilidade do manejo ao longo do tempo”, conclui a coordenadora da Biotrop.

A adoção dessas tecnologias reforça o caminho para lavouras mais sadias, produtivas e menos dependentes de moléculas químicas, especialmente em um cenário de crescente pressão de pragas e desafios climáticos.

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