Redação Plenax – Flavia Andrade
Em meio a um cenário de fortes tensões diplomáticas, os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone na noite de quarta-feira (8). O contato foi o primeiro entre os dois desde a sequência de ameaças e declarações ofensivas feitas pelo mandatário norte-americano ao governo colombiano.
Petro divulgou em suas redes sociais uma imagem do momento da ligação e relatou parte do conteúdo da conversa. Segundo ele, o diálogo abordou as visões divergentes sobre a relação dos Estados Unidos com a América Latina, além de temas sensíveis da agenda bilateral.
Durante o telefonema, o presidente colombiano destacou o potencial da região latino-americana para a produção de energia limpa, defendendo que investimentos nessa área seriam mais estratégicos do que a exploração de petróleo. Petro afirmou que a América Latina poderia viabilizar esse projeto com recursos estimados em US$ 500 bilhões, atualmente concentrados nos Estados Unidos.
“Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e à barbárie”, afirmou o colombiano, ao defender uma agenda baseada em paz, democracia e sustentabilidade.
Do lado norte-americano, Trump declarou que foi uma “grande honra” conversar com Petro. Segundo o presidente dos EUA, a ligação tratou principalmente do combate às drogas e de outros desentendimentos entre os dois governos. Trump também sinalizou interesse em um encontro presencial em breve, que já estaria em fase de negociação.
Após o telefonema, Petro participou de uma manifestação popular convocada por ele próprio para reforçar a posição da Colômbia diante das ameaças recentes dos Estados Unidos. No discurso, afirmou que o diálogo com Trump ocorreu poucos instantes antes do ato.
Escalada de tensão
As relações entre os dois países se deterioraram após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Na ocasião, Trump fez duras críticas à Colômbia e a Gustavo Petro, chegando a afirmar que o país seria “governado por um homem doente” e sugerindo que uma invasão à Colômbia poderia ser uma opção.
Petro respondeu publicamente, classificando Trump como portador de um “cérebro senil” e acusando o presidente norte-americano de enxergar líderes latino-americanos como inimigos quando não atendem aos interesses econômicos dos EUA.
Apesar do histórico recente de confrontos verbais, a conversa telefônica desta semana é vista como um gesto de reaproximação e uma tentativa de reduzir o desgaste diplomático entre Washington e Bogotá.

