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Petróleo, China e Doutrina Monroe: os interesses por trás da ofensiva de Trump na Venezuela

Foto: Reprodução/CNN

Redação Plenax – Flavia Andrade

Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela envolve motivações econômicas e geopolíticas que vão além do combate ao narcotráfico. Entre os principais fatores estão o interesse no petróleo venezuelano, a relação estratégica de Caracas com a China e a retomada de uma política externa inspirada na Doutrina Monroe.

Após meses de especulações e operações militares no Caribe, forças dos EUA atacaram, neste sábado (3), alvos em Caracas e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. Washington vinha justificando a pressão militar e econômica com o argumento de combate ao tráfico de drogas e de proteção da segurança regional, classificando o governo venezuelano como corrupto.

Nos últimos meses, os EUA ampliaram sanções, bloquearam navios petroleiros ligados à Venezuela e aplicaram medidas contra familiares de Maduro. O governo venezuelano, por sua vez, denunciou as ações como tentativa de golpe e violação da soberania nacional, acusando Washington de “pirataria naval”.

Petróleo no centro da disputa

A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris — aproximadamente 17% do total global, segundo a Energy Information Administration (EIA). Embora grande parte desse petróleo seja extra-pesado, exigindo alto investimento e tecnologia, ele é considerado adequado às refinarias dos EUA, especialmente as da Costa do Golfo.

Para analistas, o interesse americano está ligado à possibilidade de reduzir preços internos de combustíveis e aliviar o custo de vida nos EUA. Ao mesmo tempo, a pressão sobre o setor petrolífero enfraquece a principal fonte de receita do governo Maduro. Reportagens recentes indicam, inclusive, dificuldades de armazenamento de petróleo na Venezuela diante das restrições impostas por Washington.

Relação estratégica com a China

Antes das sanções de 2019, os EUA eram os maiores compradores do petróleo venezuelano. Com as restrições, a China assumiu papel central, passando a receber cerca de 68% das exportações de petróleo bruto da Venezuela em 2023. Ao longo da última década, Pequim concedeu quase US$ 50 bilhões em empréstimos ao país sul-americano, tendo o petróleo como garantia.

Especialistas destacam que o avanço da influência chinesa na América Latina é visto por Washington como uma ameaça estratégica. Nesse contexto, a ofensiva contra Caracas também busca limitar o acesso da China a recursos considerados estratégicos.

Abertura de mercado e interesses empresariais

Outro fator citado é a intenção de ampliar a presença de empresas norte-americanas na Venezuela. Setores da oposição venezuelana já sinalizaram disposição para abrir o mercado a companhias dos EUA, não apenas no setor de commodities, mas também em áreas industriais e tecnológicas.

Doutrina Monroe e hegemonia regional

A nova estratégia de política externa da Casa Branca reforça o foco na América Latina e retoma princípios da Doutrina Monroe, formulada em 1823, que define o hemisfério ocidental como área de interesse estratégico dos EUA. O objetivo é reduzir a presença de rivais globais — especialmente a China — e consolidar a influência econômica e política americana na região.

Para analistas, a ofensiva na Venezuela se insere nesse contexto mais amplo: assegurar recursos estratégicos, conter adversários e reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina, inclusive com o uso da força quando considerado necessário.

*Com informações do G1

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